sexta-feira, 6 de maio de 2016

Tanatopolítica

Ikú wọ inú ahoro ṣákálá.
A morte entra numa casa vazia em vão.



Àkójọ́pọ̀ Itumọ̀ (Glossário).
Ìwé gbédègbéyọ̀  (Vocabulário).

Ikú, s. Morte.
Wọ̀, s. Entrar.
Inú, s. Interno, interior, no íntimo de, ventre, estômago.
Ahoro, s. Ruína, desolação.
Ṣákálá, adj. Lugar comum, uma condição simples, ordinária.
Ṣákálá, adv. Inutilmente, em vão.
Ikú, s. Thanatos, morte. A personificação da morte.
Ìṣèlú, òṣèlú, s. Política.
Ikú-ìṣèlú, s. Tanatopolítica.


Ikú-ìṣèlú (tanatopolítica)

Assim como a vida, a morte é, sobretudo, uma questão política. Michel Foucault tratou da biopolítica, o cálculo que o poder faz sobre a vida, junto da tanatopolítica, cálculo do poder sobre a morte. Nas sociedades autoritárias, tanto quanto nas democracias nascentes, governos regulamentam pela pena de morte ou pela gestão da guerra o momento em que grupos ou populações inteiras devem morrer. A morte em escala industrial foi chamada no século XX de genocídio. No Brasil, e outros países pobres, a pena de morte é uma lei não escrita. O genocídio, dos crimes mais hediondos que a racionalidade humana pode conceber, está oculto na oculta pena de fome que atinge as populações enfraquecidas, sejam elas indígenas, negras, ou até mesmo populações de mulheres. Qual a lógica que está por trás disto que se tornou a nossa verdadeira "qualidade da vida"?






















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