domingo, 6 de janeiro de 2019

As previsões do Olùkọ́ Orlandes para 2019

Àwọn àsọtẹ́lẹ̀ mi fún ọdún 2019.
Minhas profecias para 2019.




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Previsões para 2019

                     Olùkọ́ Orlandes Rosa Farias

                 Este texto tem como objetivo analisar dois pressupostos da arte da previsão e profetizar alguns acontecimentos para o ano de 2019.  Para isso, vão ser apresentados dois argumentos: o primeiro explica que o futuro será o reflexo do nível de consciência em que estamos e das nossas ações no presente,  dentro das limitações e possibilidades impostas pelas circunstâncias históricas da nossa sociedade; depois, afirma  que a partir do arquétipo constelado no inconsciente coletivo, certos eventos tendem acontecer simultaneamente, tornando possível fazer previsões acerca de dada situação. A conclusão mostra que o futuro está escrito no presente e basta interpretá-lo para prever possibilidades e limites, tendências e acontecimentos, tanto nas  circunstâncias históricas da nossa sociedade como no arquétipo constelado no inconsciente coletivo que permite fazer previsões de eventos simultâneos que  procedem dele.
       O futuro será o reflexo do nível de consciência em que estamos e das nossas ações no presente, dentro das limitações e possibilidades impostas pelas circunstâncias históricas da nossa sociedade. Nos governos do PT (Lula e Dilma), as políticas públicas de inclusão social  deram centralidade aos pobres, pretos, indígenas e outras minorias. O PT incluiu na cidadania cerca de 36 milhões de pessoas, dando-lhes dignidade e empoderamento. Pobres e não brancos,  começaram a viajar de avião e frequentar universidades, através das políticas de cotas e do  Prouni. A ascensão social de pobres (pretos, outras etnias e minorias sociais) gerou ódio da classe média e da burguesia contra o PT. O desejo da classe dominante de perpetuar  a distinção entre ricos (brancos) no topo da pirâmide social  e  pobres (pretos, indígenas, mestiços) na base da pirâmide foi colocado em risco pelo PT. Coxinhas e burgueses ficaram assustados, quando viram seus lugares de privilégio serem ocupados por esses novos cidadãos.  Daí, a ideologia do  antipetismo para ocultar racismo contra pretos, nordestinos e indígenas, ódio de classe e homofobia. Para revelar contradições de classes sociais e de etnias em nossa sociedade, farei uso de um espelho para perceber algumas tendências e padrões, vejamos: quando olho num espelho, vejo a imagem de um pobre (95% da população localizada na base da pirâmide), mas os pobres votaram na burguesia do topo da pirâmide (classe social que os explora); ao olhar novamente no espelho, vejo uma pessoa preta (54% da população total, quase todos situados na base da pirâmide), mas muitos pretos votaram no racista Bolsonaro e em outros brancos do topo da pirâmide, quase todos inimigos do povo negro. Estes dois exemplos acima  podem ser aplicados aos indígenas (0.43%), mestiços (43.13%), mulheres (51,5%) e homossexuais (10,4%). Assim, a partir dos votos dos oprimidos contra si mesmos na eleição de 2018, podemos prever que em 2019 haverá sofrimentos e aflições para pobres e excluídos (pretos, indígenas, mestiços, mulheres e homossexuais).
        A partir do arquétipo constelado no inconsciente coletivo, certos eventos tendem acontecer simultaneamente, tornando possível fazer previsões acerca de dada situação. Neste ano, o arquétipo de Satã (mal total) se apoderou do inconsciente coletivo dos brasileiros, tornando possível o sucesso eleitoral de Bolsonaro (porta-voz do mal total). Porém, no candomblé, o arquétipo constelado na mente coletiva em 2019 é o Orixá  Ogum, o deus das batalhas que empodera o ser humano para escolher o seu próprio caminho na vida, o deus do enfrentamento dos obstáculos ou limitações impostas  pelas circunstâncias históricas, o deus da luta para ampliar e romper limites. Ogum (Orixá regente de 2019) traz a força e também a dificuldade para aqueles que não vão à luta. Só Ogum e seus filhos poderão ser o último obstáculo contra o arquétipo de Satã (nazifascismo de Bolsonaro e de seus aliados). Com Satã (o mal total) eleito presidente e no controle da sociedade brasileira, podemos prever alguns acontecimentos, tais como: intensificação de genocídio contra pretos e indígenas; destruição da natureza; empobrecimento dos brasileiros; trabalho análogo à escravidão; ações do governo para reduzir direitos trabalhistas e  da previdência social; perseguição aos homossexuais; caça aos comunistas e militantes de esquerda; violação da constituição pelo STF para proteger corruptos aliados de Bolsonaro, corruptos do PSDB (partido preferido do judiciário) e manter Lula e outros inocentes na prisão.
      O futuro está escrito no presente e basta interpretá-lo para prever possibilidades e limites, tendências e acontecimentos, tanto nas circunstâncias históricas da nossa sociedade como no arquétipo constelado no inconsciente coletivo que permite fazer previsões de eventos simultâneos que procedem dele. Para analisar a sociedade, temos que compreender as contradições de classes sociais e de etnias. Nas eleições de 2018, muitos brasileiros excluídos (pobres, pretos, mestiços, indígenas, mulheres e homossexuais) aliaram-se com os poderosos (burguesia e brancos) para eleger Bolsonaro, mesmo sabendo que ele é racista, inimigo de pobres e defensor da tortura.  Bolsonaro é a personificação do mal total (arquétipo de Satã) que se apoderou do inconsciente coletivo dos brasileiros. Por isso, podemos prever que haverá muito choro e ranger de dentes  por causa da redução de direitos trabalhistas e da previdência, genocídio contra indígenas e de jovens negros nas periferias. Apesar de tudo, 2019 será o ano de Ogum, divindade das batalhas e da resistência. 

     
Àkójọ́pọ̀ Itumọ̀ (Glossário).
Ìwé gbédègbéyọ̀  (Vocabulário).



Àwọn, wọ́n, pron. pess. Eles, elas. Indicador de plural.
Wọn, pron. oblíquo. A eles, a elas.
Wọn, pron. poss. Deles, delas.
Sọ tẹ́lẹ̀, sọ àsọtẹ́lẹ̀, v. Profetizar.
Àsọtẹ́lẹ̀, s. Previsão, profecia. Barganha, pechincha, troca.
Ìmọ̀tẹ́lẹ̀, ìrítẹ́lẹ̀, ìsọtẹ́lẹ̀, s. Previsão.
Mi, pron. pess. Eu.
Mi, pron. poss. Meu, minha. 
Mi, pron. oblíquo. Me, mim, comigo.

Láti, prep. Para. Usada antes de verbo no infinitivo. 
, prep. Para, em direção a. Indica movimento direcional.
Fún, prep. Para, em nome de (indica uma intenção pretendida para alguém).
Fún, v. Dar. Espremer, apertar, extrair. Espalhar, desperdiçar, empurrar para os outros. Espirrar, assoar.
Fun, v. Ser branco. Soprar, ventar.
Gbogbo, adj. Todo, toda, todos, todas.
Ìwọ, o, pron. pess. Você.
Òun, ó, pron. pess. Ele, ela.
Àwa, a, pron. pess. Nós.
Ẹ̀yin, , pron. pess. Vocês.

Ọdún, s. Ano, estação, período próximo das festividades anuais.
Wòlíì, alásọtẹ́lẹ̀, s. Profeta.
Aríran, abẹ́mìílò, s. Vidente. Àwọn abẹ́mìílò máa ń fọ́nnu pé àwọn ní agbára tó ṣàrà ọ̀tọ̀ láti sọ bí ọjọ́ ọ̀la ṣe máa rí - Videntes afirmam ter poderes especiais para predizer o futuro.
Abẹ́mìílò, s. Médium, vidente.
Awòràwọ̀, s. Astrólogo.
Ọ̀mọ̀ràn, olùṣàrúnkúnná, alálàyé, òǹwòye, onímọ̀, s. Analista.
Olùtúmọ̀, s. Tradutor.
Bàbáláwo, s. Sacerdote de Ifá ( lit. aquele que conhece os mistérios ocultos, os mistérios transcendentais).
Ọ̀rúndún kẹtàdínlógún, s. Século XVII.