sexta-feira, 18 de julho de 2014

Rei Leopoldo II

Lẹ́tà ti Ọba Leopold 2k Ilẹ̀ọba Bẹ́ljíọ̀m fún àwọn òjíṣẹ́ Ìhìnrere kristiẹni nínúu Kóngò Bẹ́ljíọ̀m .
Carta Rei Leopoldo II  da Bélgica para  os missionários cristãos no Congo Belga.




Àkójọ́pọ̀ Itumọ̀ (Glossário).
Ìwé gbédègbéyọ̀  (Vocabulário).

Lẹ́tà = carta.

Ọba = rei

Leopold 2k = Leopoldo II.

Ti = de (indicando posse)

Ilẹ̀ Bẹ́ljíọ̀m = Bélgica.

Ilẹ̀ọba Bẹ́ljíọ̀m = Reino da Bélgica.

Ilẹ̀ = terra, solo, chão.

Fún = para, em nome de (indica uma intenção pretendida para alguém).

Àwọn = eles, elas. Indicador de plural.

Òjíṣẹ́ Ìhìnrere = missionário.

Òjíṣẹ́ = mensageiro, criado.

Ìhìnrere = boas notícias, evangelho.

Ọmọ-ẹ̀hìn Kristi, onígbàgbọ́, ọmọlẹ́hìn Kristi = cristão.

Ọmọ-ẹ̀hìn, ọmọlẹ́hìn = seguidor.

Onígbàgbọ́ = uma pessoa crente.

Kristi = Cristo.

Kristiẹni = cristão.

= no, na, em.

Nínú = dentro, no interior de. A vogal final é alongada se o nome que lhe segue começar com consoante.

Kóngò Bẹ́ljíọ̀m = Congo belga. O Congo Belga  foi o nome do território administrado pelo Reino da Bélgica na África a partir de 15 de Novembro de 1908, quando o Estado Livre do Congo deixa de ser uma possessão pessoal de Leopoldo II da Bélgica,  à qual o soberano renuncia formalmente, sob forte pressão internacional provocada pelo seu duro regime de governo. O Congo foi então anexado como colônia da Bélgica, passando a ser conhecido como Congo Belga. O Congo Belga existiu até a independência do Congo em 30 de Junho de 1960 sob o nome de República Democrática do Congo.

Orílẹ̀-èdè Olómìnira Tòṣèlúaráìlú ilẹ̀ Kóngò = República Democrática do Congo.

Orílẹ̀-èdè Olómìnira = República.

Orílẹ̀ = grupo de origem, clã.

Èdè = idioma, língua, dialeto.

Orílẹ̀-èdè = nação, país, Estado.

Olómìnira = independente.

Tòṣèlúaráìlú = democrática


Carta Rei Leopoldo II  da Bélgica para  os missionários cristãos.

Congo belga (Kóngò Bẹ́ljíọ̀m)










Abaixo está uma carta escrita em 1883 pelo rei Leopoldo II da Bélgica para os missionários cristãos belgas sendo enviados ao Congo. Esses missionários cristãos viria a ser a ponta de lança da colonização belga nações da Europa e outros da África. Os missionários vieram apenas para ser seguido por comerciantes europeus e por fim pelos exércitos europeus.

A carta escrita por 1883 o rei Leopoldo II da Bélgica:

Reverendos , Pais e Queridos compatriotas :

"A tarefa que é dado a cumprir é muito delicada e requer muita força. Você vai certamente para evangelizar, mas sua evangelização deve inspirar acima de todos os interesses da Bélgica. Seu objectivo principal em nossa missão no Congo é nunca para ensinar o nigger! Eles conhecer a Deus, isso eles já sabem. Eles falam em se submeter-se a um Mungu , Nzambi , ou Nzakomba , e o que mais eu não sei .

Eles sabem que matar, ou dormir com a mulher de alguém, e se deitar ao insulto é ruim. Tenha coragem de admiti-lo, você não está indo para ensinar -lhes o que eles já sabem. Seu papel fundamental é o de facilitar a tarefa dos administradores e industriais, o que significa que você vai interpretar o evangelho na forma como vai ser o melhor para proteger seus interesses na medida em que parte do mundo. Para essas coisas, você tem que manter a vigilância sobre os nossos interesses selvagens da riqueza que é muito [ em seu subsolo. Deve ser de forma a evitar isso, que eles se interessem por ele , e torná-lo assassino ] a competição e sonhar um dia em derrubar você .

O seu conhecimento do evangelho lhe permitirá encontrar textos de ordenação, e incentivando seus seguidores a Amar A Pobreza, como " MAIS FELIZES SÃO OS POBRES, PORQUE ELES HERDARÃO O REINO DO CÉU" E, "É MUITO DIFÍCIL PARA O RICO ENTRAR NO REINO DE DEUS. " Você tem que separar -los e torná-los e desrespeitar tudo o que lhes dá coragem para nos afrontar. Faça referência e continua insistir sobre ao seu sistema místico (vudu) e sua magia de guerra – protecção da guerra - que eles fingem não querer abandonar, e você deve fazer tudo em seu poder para fazê-lo desaparecer.

Sua acção será dirigida essencialmente para os mais jovens, para que eles não possam se revoltar quando a recomendação do padre for contraditória com os ensinamentos de seus pais. As crianças têm que aprender a obedecer o que missionário recomenda, que é o pai de sua alma. Você deve insistir singularmente na sua total submissão e obediência, evitar o desenvolvimento do espírito nas escolas, ensinar os alunos a ler e não à razão (racionalidade).

Não, queridos patriotas, são alguns dos princípios que vocês devem aplicar em sua missão. Você vai encontrar muitos outros livros, que serão dados a você no final desta conferência. Evangelizar para que eles fiquem para sempre na submissão aos colonizadores brancos, para que eles nunca se revoltam contra as restrições que estão sendo submetidos. Recite a cada dia - " FELIZES OS QUE CHORAM, PORQUE O REINO DE DEUS É PARA ELES. "

Obs:"Quando você estuda história você descobre que, para se conquistar um povo, qualquer povo, eles devem primeiro ser desumanizados. Os resultados obtidos devem ser minimizados, eles têm de tornar-se dependente do conquistador. Eles devem confiar em seus opressor para a interpretação da sua própria história, como se não tivessem as realizações permanente dos seus próprios. A "santa inquisição" já estava em pleno funcionamento. "- Immortal Technique

Canto dos índios KAIAPÓS

Orin ti awọn ìbílẹ̀ kayapọ́.

Cântico dos índios kaiapós.












Àkójọ́pọ̀ Itumọ̀ (Glossário).
Ìwé gbédègbéyọ̀  (Vocabulário).


Orin = cântico, uma cantiga.
Ti awọn = dos.
Àwọn = eles, elas. Indicador de plural.
Ènìà, ènìyàn, s. Pessoa. É também usado de forma impessoal para significar povo, seres humanos, alguém.
Onílẹ̀, s. Proprietário, dono da terra.
Ọmọ, s. Filho, criança, descendência.
Ti ìbílẹ̀, ti ilẹ̀, ti ìlú = indígena.
Ìbílẹ̀ = nascido na região, nativo, pessoa do lugar.
Onílẹ̀, ìbílẹ̀ = Índio, aborígene, nativo.
kayapọ́ = Os caiapós (também grafado kayapó ou kaiapó) é uma das denominações de um grupo indígena habitante da Amazônia brasileira.

KWORO KANGO (letra e vídeo) canto dos índios KAIAPÓS, vídeo MOACIR SILVEIRA


                                                                                 


A maioria dos Caiapós vive no Planalto Central, nos estados de Mato Grosso e do Pará, no entanto, também são encontrados no Tocantins e em Goiás




Ìrántí yíyè ti ènìyàn kan (memória viva de um povo)

Ìrántí yíyè guaraní.
Memória viva guarani.

Xamã guarani.jpg


Os Guarani em território brasileiro sofrem com a presença violenta de fazendeiros.

Para os índios Guarani, a terra é a origem da vida. No entanto, seu território tem sido devastado por violentas invasões lideradas por fazendeiros. Quase todas as terras dos índios já foram roubadas.

Crianças Guarani passam fome e muitos líderes já foram assassinados. Centenas de homens, mulheres e crianças Guarani cometeram suicídio.


Àkójọ́pọ̀ Itumọ̀ (Glossário).

Ìwé gbédègbéyọ̀  (Vocabulário).



Ìrántí, s. Lembrança, memória, recordação.

Yíyè, adj. Vivo, são, ter vida, corpo e mente são, imperturbado, moralmente forte, firme, leal.

Guaraní, s. Guarani.  Uma das etnias indígenas da América do Sul.

1 - Ñande Reko Arandu - (2000) Memória Viva Guarani [Full Album]

                                                                                     




2 - Povo guarani




O povo Guarani foi um dos primeiros a serem contatados após a chegada dos europeus na América do Sul, cerca de 500 anos atrás.
No Brasil, vivem atualmente cerca de 51.000 índios Guarani, em sete estados diferentes, tornando-os a etnia mais numerosa do país. Muitos outros índios Guarani vivem no Paraguai, Bolívia e Argentina.
O povo Guarani no Brasil está dividido em três grupos: Kaiowá, Ñandeva e M’byá, dos quais o maior é o Kaiowá, que significa ‘povo da floresta’.
Crianças Guarani trabalham nas plantações de cana-de-açúcar, que agora cobrem a maior parte das terras de seu povo no Mato Grosso do Sul.
Crianças Guarani trabalham nas plantações de cana-de-açúcar, que agora cobrem a maior parte das terras de seu povo no Mato Grosso do Sul.
O povo Guarani é profundamente espiritual. A maioria das comunidades possui um espaço para oração, e um líder religioso, cuja autoridade é baseada em prestígio, em vez de poder formal.

A ‘terra sem males’

O ideal da ‘terra sem males’ é presença constante na cultura dos índios Guarani, que buscam um lugar, anunciado por seus ancestrais, onde as pessoas vivam livres de dor e sofrimento.
Ao longo dos séculos, os Guarani percorreram vastas distâncias em busca da ‘terra sem males’.
Um cronista do século 16 registrou que os Guarani possuem o ‘constante desejo de buscar novas terras, nas quais eles imaginam que vão encontrar a imortalidade e a facilidade perpétua’.
Essa busca permanente é indicativa da característica única dos Guarani, ‘um traço distinto’ deles que tem sido frequentemente observado por aqueles que não fazem parte de sua cultura.
Atualmente, isso se manifesta de uma forma mais trágica: profundamente afetados pela perda de quase todas as suas terras no século passado, o povo Guarani sofre uma onda de suicídio inigualável na América do Sul.
Os problemas são especialmente graves no Mato Grosso do Sul, onde a etnia já chegou a ocupar uma área de florestas e planícies de cerca de 350.000 quilômetros quadrados.
Hoje em dia, os índios vivem espremidos em pequenos pedaços de terra cercados por fazendas de gado e vastos campos de soja e cana-de-açúcar. Alguns não têm terra alguma, e vivem acampados na beira de estradas.

A história de Marcos Veron

‘Isso aqui é minha vida, minha alma. Se você me levar para longe dessa terra, você leva a minha vida’. Marcos Veron

O assassinato do líder Guarani Marcos Veron, em 2003, foi um exemplo trágico, mas tipico da violência à qual seu povo está sujeito.

Sr. Veron, com idade em torno de 70 anos, foi o líder da comunidade Guarani Kaiowá de Takuara. Durante cinqüenta anos seu povo tinha tentando recuperar um pequeno pedaço de sua terra ancestral, depois que ela foi tomada por um rico brasileiro e se transformou em uma grande fazenda de gado. Desde então, a maior parte da floresta que cobria a área tinha sido desmatada.

Em abril de 1997, desesperado depois de anos pressionando o governo sem resultado, Marcos levou sua comunidade de volta para a fazenda. Eles começaram a reconstruir suas casas, e podiam cultivar seus alimentos novamente.

Mas o fazendeiro que ocupava a área foi ao tribunal e um juiz ordenou a saída dos índios.

Em outubro de 2001, mais de cem policiais fortemente armados e soldados obrigaram os índios a abandonar sua terra mais uma vez. Eles finalmente acabaram vivendo debaixo de lonas de plástico ao lado de uma rodovia.

Ainda na Takuara, Marcos disse: ‘Isso aqui é minha vida, minha alma. Se você me levar para longe desta terra, você leva minha vida.’

Suas palavras vieram com uma profecia trágica e real no início de 2003, quando, durante outra tentativa de retornar pacificamente à sua terra, ele foi violentamente espancado por funcionários do fazendeiro. Ele morreu poucas horas depois.

Os assassinos de Veron não foram acusados de assassinato, mas eles foram acusados de crimes menores relacionados ao ataque, após uma audiência judicial no início de 2011.

Desespero

Nos últimos 500 anos praticamente todas as terras dos Guarani no Mato Grosso do Sul foram tomadas deles.
Ondas de desmatamento converteram as terras férteis dos Guarani em uma vasta rede de fazendas de gado e plantações de cana-de-açúcar para o mercado de biocombustíveis do Brasil.
Muitos dos Guarani estão amontoados em pequenas reservas, que estão cronicamente superlotadas. Na reserva de Dourados, por exemplo, 12 mil índios vivem em pouco mais de 3.000 hectares.
A destruição da floresta fez com que as práticas da caça e a pesca sejam impossíveis, e não há mais terra suficiente até mesmo para plantar. A desnutrição é um problema sério e, desde 2005, pelo menos, 53 crianças Guarani morreram de fome.

Canaviais

O Brasil tem uma das indústrias mais desenvolvidas de biocombustíveis no mundo. Plantações de cana-de-açúcar foram estabelecidas na década de 1980, e dependem fortemente do trabalho indígena. Frequentemente, os trabalhadores trabalham por salários miseráveis em condições terríveis. Em 2007, a polícia invadiu uma destilaria de álcool de cana-de-açúcar e descobriu 800 índios trabalhando e vivendo em condições subumanas.
Como muitos homens indígenas são forçados a procurar trabalho nas plantações, eles estão ausentes de suas comunidades por longos períodos e isso tem um impacto importante na saúde e na sociedade Guarani. As doenças sexualmente transmissíveis e alcoolismo foram introduzidas pelos trabalhadores retornando e tensões internas e violência aumentaram.
Mais de 80 novas plantações de cana-de-açúcar e usinas de álcool estão previstas para o Mato Grosso do Sul, muitas das quais estão sendo construídas em terra ancestral dos Guarani.
A cana de açúcar está devastando terras dos Guarani
A cana de açúcar está devastando terras dos Guarani
© Survival

Prisão

Os Guarani no Mato Grosso do Sul sofrem com o racismo e a discriminação, e altos níveis de assédio da polícia. Estima-se que existem mais de 200 Guarani na cadeia com pouco ou nenhum acesso a aconselhamento jurídico e intérpretes, preso em um sistema legal que eles não entendem. Isso resultou em pessoas inocentes serem condenadas. Muitos estão servindo penas desproporcionalmente duras por delitos menores.
A resposta deste povo profundamente espiritual para a crônica falta de terra tem sido uma epidemia de suicídio única na América do Sul. Desde 1986 mais de 517 índios Guarani cometeram suicídio; o mais novo tinha apenas nove anos de idade.

Lutando para sobreviver

Lotados em reservas minúsculas, com terríveis consequências sociais, muitas comunidades Guarani têm tentado recuperar pequenas parcelas de suas terras ancestrais.
Estas ‘retomadas’ tem sido violentamente resistidas pelos agricultores poderosos que hoje ocupam a região.
Os fazendeiros frequentemente empregam pistoleiros para defender ‘suas’ propriedades, e inúmeros Guarani foram mortos durante ou logo após as retomadas.
A pequena comunidade de Ñanderu Marangatu é típica. Apesar do fato de que a comunidade tem direito por lei a viver dentro de uma reserva de 9.000 hectares, eles foram expulsos por pistoleiros contratados por fazendeiros em 2005. Com incrível coragem, a comunidade voltou.
Eles agora vivem em uma pequena fração do que é legalmente deles, e a área circundante a sua comunidade é patrulhada diariamente pelos pistoleiros do fazendeiro, que também estupraram duas mulheres Guarani e atiraram contra a casa de um dos líderes da comunidade.

 Fonte: O movimento dos povos indígenas. A Survival é a única organização que trabalha pelos direitos dos povos indígenas em todo o mundo.



3 - Há anos, o estado figura como o mais violento do país no relatório da organização indigenista, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).


Pelo menos 53 índios foram assassinados durante o ano de 2013 em consequência de conflitos, diretos ou indiretos, pela disputa por terras. O dado faz parte do relatório sobre a violência contra os povos indígenas brasileiros que o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou hoje (17), em Brasília. Dos casos registrados em todo o país, 33 ocorrências (66%) foram registradas em Mato Grosso do Sul. Há anos, o estado figura como o mais violento do país no relatório da organização indigenista, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O total de índios assassinados em 2013 é menor que os 60 casos identificados pelo Cimi em 2012. No entanto, como em anos anteriores, a organização alerta que os números podem estar subestimados, porque são colhidos, a partir várias fontes, como relatos e denúncias dos próprios povos e organizações indígenas; missionários do conselho; reportagens de jornais, sites e agências de notícias; órgãos públicos que prestam assistência; Ministério Público, além de relatórios e boletins policiais.
No capítulo violência contra a pessoa, o Cimi identificou 13 homicídios culposos (não intencional) em 2013, contra 12 casos em 2012; 328 tentativas de assassinato, contra 1.024, além de 14 casos em que índios foram ameaçados de morte. O elevado número de tentativas de morte se deve ao fato de que, em algumas ocorrências, a ameaça foi dirigida a toda a comunidade. O relatório de 2013 também registra dez casos de violência sexual praticada contra indígenas.
O relatório também aponta que 8.014 dos 896.917 índios brasileiros (dado do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de 2010) sofreram algum tipo de violência decorrente da omissão do Poder Público. Os casos são de falta de assistência escolar, de saúde, de políticas públicas que impeçam a disseminação de bebidas alcoólicas e outras drogas dentro da comunidade e até tentativas de suicídio. O resultado nesse quesito é inferior aos 106.801 casos registrados em 2012.
Segundo o relatório, os índios continuam sendo alvo de racismo e preconceito. Além disso, crianças indígenas continuam morrendo por doenças como pneumonia, diarreia e gastroenterite, insuficiência respiratória, infecções provocadas por bactérias, entre outros males. O Cimi destaca as dificuldades para se chegar aos números reais de casos. Enquanto o relatório contabiliza apenas 26 casos de mortalidade infantil, o texto de apresentação do documento cita dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e do Ministério da Saúde, dando conta de que 693 crianças até 5 anos morreram entre janeiro e novembro de 2013.
O presidente do Cimi e bispo do Xingu, Erwin Kräutler, acusa o Poder Público de agir com descaso em relação à política indigenista e à vida dos povos indígenas. Na avaliação da organização, a demora nos procedimentos demarcatórios, pelo governo federal, acirram conflitos em diversas unidades da Federação, intensificando as violências e ameaças de morte contra índios de todo o país e suas lideranças.
Kräutler afirma que o governo federal deve ser responsabilizado pela trágica realidade vivida pelos povos indígenas, lembrando que, pela Constituição Federal, o Estado brasileiro deveria ter identificado, demarcado e retirado os não índios de todos os territórios tradicionais indígenas até 1993.
Segundo o Cimi, das 1.047 áreas reivindicadas por povos indígenas, apenas 38% estão regularizadas. Cerca de 30% delas estão em processo de regularização e em 32% dos casos, o procedimento de demarcação foi iniciado. Das terras já regularizadas, 98,75% são na Amazônia Legal. Enquanto isso, 554.081 dos 896.917 indígenas vivem em regiões do país, que têm apenas 1,25% da extensão das terras indígenas regularizadas.
O Cimi afirma que ao menos 30 processos demarcatórios relativos a áreas já identificadas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) não têm pendência administrativa ou judicial que impeçam a homologação da reserva, mas não foram concluídos. Desses 30 processos, 12 dependem da publicação, pelo Ministério da Justiça, de Portaria Declaratória, conforme a entidade. Dezessete áreas aguardam a homologação presidencial e cinco processos dependem da aprovação da presidenta da Funai, Maria Augusta Assirati.
O governo de Mato Grosso do Sul informou à Agência Brasil que ainda não tem conhecimento dos dados citados no relatório. Disse ainda que “a segurança das aldeias e a proteção aos indígenas são responsabilidades federais” e que a questão fundiária é “competência exclusiva da União”.

Fonte: TopMídia News

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Israel

Ìṣẹlẹ́yàmẹ̀yà àti ìpakúpa ènìyàn mímọ́ ti Ísráẹ́lì ṣòdì sí àwọn mọorílẹ̀-èdè Palẹstínì.

Racismo e genocídio do povo santo de Israel contra os palestinos.

 A suástica do Führer parece ser hoje a bandeira de Israel


























Àkójọ́pọ̀ Itumọ̀ (Glossário).

Ìwé gbédègbéyọ̀  (Vocabulário).

Ìṣẹlẹ́yàmẹ̀yà = racismo.

Ìpakúpa = Ato de matar de forma indiscriminada, holocausto.

Àti = e.

Ènìyàn mímọ́ = povo santo.

Ti = de (indicando posse).

Ísráẹ́lì = Israel.

Dojúkọ, lòdì sí, ṣòdì, ṣòdì sí, àìbárẹ́ = contra.

Mọ́ = contra.

Àwọn, wọn = eles, elas. 

Palẹstínì = Palestina.

Ọmọorílẹ̀-èdè Palẹstínì = palestino.


Curso objetivo

A Questão Palestina


Palestina (do original Filistina – “Terra dos Filisteus”) é o nome dado desde a Antiguidade à região do Oriente Próximo (impropriamente chamado de “Oriente Médio”), localizada ao sul do Líbano e a nordeste da Península do Sinai, entre o Mar Mediterrâneo e o vale do Rio Jordão. Trata-se da Canaã bíblica, que os judeus tradicionalistas preferem chamar de Sion.
A Palestina foi conquistada pelos hebreus ou israelitas (mais tarde também conhecidos como judeus) por volta de 1200 a.C., depois que aquele povo se retirou do Egito, onde vivera por alguns séculos.
A Questão Palestina
Mas as sucessivas dominações estrangeiras, começadas com a tomada de Jerusalém (587 a.C.) por Nabucodonosor, rei da Babilônia, deram início a um progressivo processo de diáspora (dispersão) da população judaica, embora sua grande maioria ainda permanecesse na Palestina.
As duas rebeliões dos judeus contra o domínio romano (em 66-70 e 133-135 d.C.) tiveram resultados desastrosos. Ao debelar a primeira revolta, o general (mais tarde imperador) Tito arrasou o Templo de Jerusalém, do qual restou apenas o Muro das Lamentações. E o imperador Adriano, ao sufocar a segunda, intensificou a diáspora e proibiu os judeus de viver em Jerusalém. A partir de então, os israelitas espalharam-se pelo Império Romano; alguns grupos emigraram para a Mesopotâmia e outros pontos do Oriente Médio, fora do poder de Roma.
A partir de então, a Palestina passou a ser habitada por populações helenísticas romanizadas; e, em 395, quando da divisão do Império Romano, tornou-se uma província do Império Romano do Oriente (ou Império Bizantino).
Em 638, a região foi conquistada pelos árabes, no contexto da expansão do islamismo, e passou a fazer parte do mundo árabe, embora sua situação política oscilasse ao sabor das constantes lutas entre governos muçulmanos rivais. Chegou até mesmo a constituir um Estado cristão fundado pelos cruzados (1099-1187). Finalmente, de 1517 a 1918, a Palestina foi incorporada ao imenso Império Otomano (ou Império Turco). Deve-se, a propósito, lembrar que os turcos, e embora muçulmanos, não pertencem à etnia árabe.
Em 1896, o escritor austríaco de origem judaica Theodor Herzl fundou o Movimento Sionista, que pregava a criação de um Estado judeu na antiga pátria dos hebreus.
Esse projeto, aprovado em um congresso israelita reunido em Genebra, teve ampla ressonância junto à comunidade judaica internacional e foi apoiado sobretudo pelo governo britânico (apoio oficializado em 1917, em plena Primeira Guerra Mundial, pela Declaração Balfour).
No início do século XX, já existiam na região pequenas comunidades israelitas, vivendo em meio à população predominantemente árabe. A partir de então, novos núcleos começaram a ser instalados, geralmente mediante compra de terras aos árabes palestinos.
Durante a Primeira Guerra Mundial, a Turquia lutou ao lado da Alemanha e, derrotada, viu-se privada de todas as suas possessões no mundo árabe. A Palestina passou então a ser administrada pela Grã-Bretanha, mediante mandato concedido pela Liga das Nações.
Depois de 1918, a imigração de judeus para a Palestina ganhou impulso, o que começou a gerar inquietação no seio da população árabe. A crescente hostilidade desta última levou os colonos judeus a criar uma organização paramilitar – a Haganah – a princípio voltada para a autodefesa e mais tarde também para operações de ataque contra os árabes.
Apesar do conteúdo da Declaração Balfour, favorável à criação de um Estado judeu, a Grã-Bretanha tentou frear o movimento imigratório para não descontentar os Estados muçulmanos do Oriente Médio, com quem mantinha proveitosas relações econômicas; mas viu-se confrontada pela pressão mundial da coletividade israelita e, dentro da própria Palestina, pela ação de organizações terroristas.
Após a Segunda Guerra Mundial, o fluxo de imigrantes judeus tornou-se irresistível. Em 1947, a Assembléia Geral da ONU decidiu dividir a Palestina em dois Estados independentes: um judeu e outro palestino. Mas tanto os palestinos como os Estados árabes vizinhos recusaram-se a acatar a partilha proposta pela ONU.
Em 14 de maio de 1948, foi proclamado o Estado de Israel, que se viu imediatamente atacado pelo Egito, Arábia Saudita, Jordânia, Iraque, Síria e Líbano (1ª Guerra Árabe-Israelense). Os árabes foram derrotados e Israel passou a controlar 75% do território palestino. A partir daí, iniciou-se o êxodo dos palestinos para os países vizinhos. Atualmente, esses refugiados somam cerca de 3 milhões.
Os 25% restantes da Palestina, correspondentes à Faixa de Gaza e à Cisjordânia, ficaram sob ocupação respectivamente do Egito e da Jordânia. Note-se que a Cisjordânia incluía a parte oriental de Jerusalém, onde fica a Cidade Velha, de grande importância histórica e religiosa.
Damos a seguir a cronologia dos principais acontecimentos subsequentes
1947 – A ONU aprova a partilha da Palestina em dois Estados – um judeu e outro árabe. Essa resolução é rejeitada pela Liga dos Estados Árabes.
1948 – Os Judeus proclamam o Estado de Israel, provocando a reação dos países árabes. Primeira Guerra Árabe-Israelense. Vitória de Israel sobre o Egito, Jordânia, Iraque, Síria e Líbano e ampliação do território israelense em relação ao que fora estipulado pela ONU. Centenas de milhares de palestinos são expulsos para os países vizinhos. Como territórios palestinos restaram a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, ocupadas respectivamente por tropas egípcias e jordanianas.
1956 – Guerra entre Israel e o Egito. Embora vitoriosos militarmente, os israelenses retiraram-se da Faixa de Gaza e da parte da Península do Sinai que haviam ocupado.
1964 – Criação da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), cuja pretensão inicial era destruir Israel e criar um Estado Árabe Palestino. Utilizando táticas terroristas e sofrendo pesadas retaliações israelenses, a OLP não alcançou seu objetivo e, com o decorrer do tempo, passou a admitir implicitamente a existência de Israel.
1967 – Guerra dos Seis Dias. Atacando fulminantemente em três frentes, os israelenses ocupam a Faixa de Gaza e a Cisjordânia (territórios habitados pelos palestinos) e tomam a Península do Sinai ao Egito, bem como as Colinas de Golan à Síria.
1970 – “Setembro Negro”. Desejando pôr fim às retaliações israelenses contra a Jordânia, de onde provinha a quase totalidade das incursões palestinas contra Israel, o rei Hussein ordena que suas tropas ataquem os refugiados palestinos. Centenas deles são massacrados e a maioria dos sobreviventes se transfere para o Líbano.
1973 – Guerra do Yom Kippur (“Dia do Perdão”). Aproveitando o feriado religioso judaico, Egito e Síria atacam Israel; são porém derrotados e os israelenses conservam em seu poder os territórios ocupados em 1967. Para pressionar os países ocidentais, no sentido de diminuir seu apoio a Israel, a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) provoca uma forte elevação nos preços do petróleo.
1977 – Pela primeira vez, desde a fundação de Israel, uma coalizão conservadora (o Bloco Likud) obtém maioria parla mentar. O novo primeiro-ministro, Menachem Begin, inicia o assentamento de colonos judeus nos territórios ocupados em 1967.
A Questão Palestina
1979 – Acordo de Camp David. O Egito é o primeiro país árabe a reconhecer o Estado de Israel. Este, em contrapartida, devolve a Península do Sinai ao Egito (cláusula cumprida somente em 1982). Em 1981, militares egípcios contrários à paz com Israel assassinam o presidente Anwar Sadat.
1982 – Israel invade o Líbano (então em plena guerra civil entre cristãos e muçulmanos) e consegue expulsar a OLP do território libanês. Os israelenses chegam a ocupar Beirute,
capital do Líbano. Ocorrem massacres de refugiados palestinos pelas milícias cristãs libanesas, com a conivência dos israelenses.
1985 – As tropas israelenses recuam para o sul do Líbano, onde mantêm uma “zona de segurança” com pouco mais de 10 km de largura. Para combater a ocupação israelense, forma-se o Hezbollah (“Partido de Deus”), organização xiita libanesa apoiada pelo governo islâmico fundamentalista do Irã.
1987 – Começa em Gaza (e se estende à Cisjordânia) a Intifada (“Revolta Popular”) dos palestinos contra a ocupação israelense. Basicamente, a Intifada consiste em manisfestações diárias da população civil, que arremessa pedras contra os soldados israelenses. Estes frequentemente revidam a bala, provocando mortes e prejudicando a imagem de Israel junto à opinião internacional. Resoluções da ONU a favor dos palestinos são sistematicamente ignoradas pelo governo israelense ou vetadas pelos Estados Unidos. A Intifada termina em 1992.
1993 – Com a mediação do presidente norte-americano Bill Clinton, Yasser Arafat, líder da OLP, e Yitzhak Rabin, primeiro-ministro de Israel, firmam em Washington um acordo prevendo a criação de uma Autoridade Nacional Palestina, com autonomia administrativa e policial em alguns pontos do território palestino. Prevê-se também a progressiva retirada das forças israelenses de Gaza e da Cisjordânia. Em troca, a OLP reconhece o direito de Israel à existência e renuncia formalmente ao terrorismo. Mas duas organizações extremistas palestinas (Hamas e Jihad Islâmica) opõem-se aos termos do acordo, assim como os judeus ultranacionalistas.
1994 – Arafat retorna à Palestina, depois de 27 anos de exílio, como chefe da Autoridade Nacional Palestina (eleições realizadas em 1996 o confirmam como presidente) e se instala em Jericó. Sua jurisdição abrange algumas localidades da Cisjordânia e a Faixa de Gaza – embora nesta última 4 000 colonos judeus permaneçam sob administração e proteção militar israelenses. O mesmo ocorre com os assentamentos na Cisjordânia. Na cidade de Hebron (120 000 habitantes palestinos), por exemplo, 600 colonos vivem com o apoio de tropas de Israel. Nesse mesmo ano, a Jordânia é o segundo país árabe a assinar um tratado de paz com os israelenses.
1995 – Acordo entre Israel e a OLP para conceder autonomia (mas não soberania) a toda a Palestina, em prazo ainda indeterminado. Em 4 de novembro, Rabin é assassinado por um extremista judeu.
1996 – É eleito primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, do Partido Likud (antes denominado Bloco Liked), que paralisa a retirada das tropas de ocupação dos territórios palestinos e intensifica os assentamentos de colonos judeus em Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, em meio à população predominantemente árabe. O processo de pacificação da região entra em compasso de espera, ao mesmo tempo em que recrudescem os atentados terroristas palestinos. Em Israel, o primeiro-ministro (chefe do governo) é eleito pelo voto direto dos cidadãos.
1999 – Ehud Barak, do Partido Trabalhista (ao qual também pertencia Yitzhak Rabin), é eleito primeiro-ministro e retoma as negociações com Arafat, mas sem que se produzam resultados práticos.
2000 – Israel retira-se da “zona de segurança” no sul do Líbano. Enfraquecido politicamente, devido à falta de progresso no camiho da paz, e também devido às ações terroristas palestinas (não obstante as represálias israelenses), Barak renuncia ao cargo de primeiro-ministro. São convocadas novas eleições, nas quais ele se reapresenta como candidato. Mas o vencedor é o general da reserva Ariel Sharon, do Partido Likud, implacável inimigo dos palestinos. Pouco antes das eleições, começa nos territórios ocupados uma nova Intifada.
2001 – Agrava-se o ciclo de violência: manifestações contra a ocupação israelense, atentados suicidas palestinos e graves retaliações israelenses. Nesse contexto, Yasser Arafat, já septuagenário, parece incapaz de manter a autoridade sobre seus compatriotas ou de restabelecer algum tipo de diálogo com Israel, cujo governo por sua vez mantém uma inflexível posição de força.

Balanço Atual

Até agora, Israel desocupou apenas sete cidades da Cisjordânia (uma oitava foi desocupada parcialmente),
correspondentes a 3% do território cisjordaniano; deste, 24% encontram-se sob controle misto israelense-palestino e 74% permanecem inteiramente ocupados. Em termos demográficos, 29% dos palestinos estão sob a jurisdição exclusiva da Autoridade Palestina. Quanto à Faixa de Gaza, cuja importância é consideravelmente menor, nela permanecem apenas as tropas israelenses que protegem os colonos judeus ali estabelecidos.
Os grandes obstáculos para a implementação do acordo firmado entre Yitzhak Rabin e Yasser Arafat são:
a) A oposição das facções extremistas, tanto palestinas como isralelenses.
b) A posição militarista e intransigente do governo Sharon.
c) O estatuto de Jerusalém Oriental, que os palestinos almejam transformar em sua capital mas que já foi incorporada oficialmente ao território israelense, dentro do conceito de que a cidade de Jerusalém “é a capital de Israel, una e indivisível”.
d) O problema dos 150 000 colonos existentes em Gaza e na Cisjordânia e que se recusam a deixar seus assentamentos.
e) A disputa pelos recursos hídricos do Rio Jordão, pois parte de seu curso (na fronteira entre a Jordânia e a Cisjordânia) ficaria fora do controle de Israel.
f) O território palestino simplesmente não tem como absorver os quase 3 milhões de refugiados que habitavam terras do atual Estado de Israel e que continuam a viver, na maior parte, em precários campos de refugiados espalhados pelo mundo árabe – notadamente no Líbano.
A Questão Palestina
A Questão Palestina

A “Cidade Velha”

A disputada “Cidade Velha”, dentro de Jerusalém Oriental, conta com locais sagrados de três religiões. Os principais são: o Muro das Lamentações, reverenciado pelos judeus como o único remanescente do grandioso Templo de Jerusalém; a Mesquita da Rocha (foto acima), erigida sobre um rochedo de onde, segundo a tradição islâmica, a alma de Maomé ascendeu ao Paraíso; por último, a Igreja do Santo Sepulcro, construída sobre o lugar onde Cristo teria sido sepultado e, de acordo com a crença cristã, ressuscitou no terceiro dia.
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domingo, 13 de julho de 2014

Dimensões do espaço

Àwọn ibú ní Físíksì.
As dimensões na física.




Àkójọ́pọ̀ Itumọ̀ (Glossário).
Ìwé gbédègbéyọ̀  (Vocabulário).

Àwọn, wọn = eles, elas.

Títóbi, ìna, ibú, ìwọ̀n = dimensão.

Títóbi = grandeza.

Ibú = largura, amplitude, expansão. Arroio, regato, riacho.

Ìwọ̀n = escala, medida, peso, certa quantidade.

= no, na, em.

Físíksì = física.


1 - Outras dimensões

Por Salvador Nogueira  


Seis dimensões espaciais além das 3 que conhecemos podem estar enroladinhas no interior do tecido do cosmos, esperando para ser detectadas pelos pesquisadores 


É até difícil de acreditar, ao ver alguém pulando de paraquedas ou mesmo caindo de boca no chão, depois de um mero tropeço. Mas a verdade é que a gravidade é a força mais fracote da natureza. "Fracote?", pergunta-se intrigado o leitor. A resposta é simples. Basta observar a força gravitacional que a Terra inteira - o planeta todo! - exerce sobre uma bolinha metálica. Com um simples ímã, é possível fazer essa bolinha flutuar no ar, compensando a força gravitacional para baixo com uma força magnética para cima. Um pequeno ímã sai na frente contra um planeta inteiro. Convencido?

Até aí, tudo bem. A força gravitacional é mesmo fracote, apesar de ser chamada de "força". O que na verdade deixa os cientistas desconsolados é que eles não sabem por que diabos isso acontece. De todas as forças conhecidas na natureza, a gravidade é a mais fraca. E, quando falamos fraca, queremos dizer na verdade "muuuuuito mais fraca" - um pentelhésimo da intensidade das outras.

Tá, mas esta reportagem não devia ser sobre outras dimensões? O que, afinal, uma coisa tem a ver com a outra? Pois é, estamos chegando lá. Uma das ideias dos físicos para explicar por que a gravidade é tão mais fraca que todo o resto sugere que, enquanto as outras forças da natureza transitam inteiramente pelas 3 dimensões espaciais que percebemos, a força gravitacional "vaza" para um conjunto de outras dimensões, invisíveis à sensibilidade humana. O que percebemos dela no cotidiano acabaria sendo uma fração minúscula do total.


Universo maluco

Se evocar dimensões adicionais para explicar parece um golpe de desespero dos cientistas, é quase isso mesmo. Mas, convenhamos, numa coisa pelo menos eles têm razão: claramente, nesse assunto de forças, há algo de errado com o Universo. Ou melhor, com o entendimento que temos dele.

Tanto é verdade que temos duas grandes teorias hoje na física: uma é a mecânica quântica, que explica todas as forças que atuam no âmbito microscópico - entidades invisíveis a olho nu, mas tão poderosas que fazem coisas como, por exemplo, grudar partículas umas nas outras para formar átomos, reunir átomos em moléculas e emitir certas formas de radiação. A outra é a Teoria da Relatividade, que explica única e tão somente a gravidade, por uma abordagem totalmente diferente.

Bom, belezinha, então. Temos 2 teorias e 4 forças - a gravidade, o eletromagnetismo e as forças nucleares forte e fraca (menos conhecidas e que não vêm muito ao caso aqui). Podemos viver com isso, não? Até poderíamos, se o Universo não apresentasse algumas circunstâncias bizarras - como as vivenciadas na proximidade dos buracos negros. Lá, para entendermos o que está acontecendo, precisamos usar simultaneamente as equações da relatividade e da mecânica quântica.

Detalhe: elas não se casam nem a pau. Quando você junta as duas para fazer o cálculo, começam a aparecer uns números infinitos - sintoma de que tem alguma coisa errada com o entendimento do fenômeno, já que não faz muito sentido você usar números finitos e sair um resultado infinito.

Há quem diga que a ciência é necessariamente uma visão aproximada e imperfeita do mundo, e que teremos de conviver com o fato de que os dois pilares da física moderna não se falam. Assim, não haveria uma chance de unificar todas as forças da natureza numa teoria. "Eu já escrevi artigos precisamente a defender a possibilidade de não haver unificação", afirma o físico português João Magueijo, do Imperial College de Londres. "Não há razão nenhuma pela qual tem de haver unificação."

Mas nem todos os físicos têm essa atitude conformada. E foi de uma tentativa de conciliar efetivamente a teoria quântica e a relatividade que nasceram as supercordas, que caminham juntinhas com a ideia da existência de outras dimensões.


Dez dimensões e uns quebrados

Os teóricos das cordas, entre os quais os maiores defensores são os americanos Brian Greene e Michio Kaku, postulam que toda essa confusão pode ser explicada se as partículas de matéria (prótons, nêutrons etc.), que hoje tratamos como "pontinhos", sem tamanho nenhum, sejam na verdade minúsculas cordas, que vibram num espaço multidimensional. Além das 3 dimensões que conhecemos tradicionalmente, haveria mais 6, sem contar o tempo (tratado também como uma dimensão, desde o advento da Teoria da Relatividade).

Ah, tá. Mas cadê essas dimensões todas? Segundo os físicos partidários dessa teoria, elas estariam enroladas sobre si mesmas, de uma forma tão compacta que nossos experimentos atuais são incapazes de sondálas. Bem conveniente, não?

Mas eles realmente acreditam nisso. E, convenhamos, com esse esquema, eles conseguem explicar as características das partículas conhecidas hoje. Ao comportamento do próton, por exemplo, corresponde um padrão de vibração específico de corda, parecido com as notas de um violino. Ao elétron, a mesma coisa. E assim por diante.

O problema é que as contas envolvidas nessa teoria são extremamente complicadas, e até agora nenhuma previsão nova, que já não esteja na relatividade ou na mecânica quântica, emergiu delas. Ou seja, por ora, é apenas uma obra de ficção. Mas, enquanto ficção, realmente é fascinante.


Vamo batê brana

Enquanto os partidários dessa versão da constituição do Universo não conseguem obter previsões práticas para experimentos, eles criam versões variadas da teoria, com as mais incríveis consequências. O que há de mais moderno nessas pesquisas já nem fala de cordas, mas de branas (contração de "membranas"). Seriam entidades que vibrariam em duas dimensões, como se fossem lençóis sem espessura, vibrando na horizontal e na vertical. E falase de dimensões ocultas inteiras em forma de branas. Alguns teóricos especulam que a colisão de duas branas teria se manifestado em nosso Universo como o famoso bigbang - a grande explosão que teria dado origem a toda matéria e energia existentes hoje no Cosmos. Segundo essa visão, é bem possível que existam dimensões adicionais em outros universos, fisicamente desconectados do nosso. Essas seriam, naturalmente, dimensões tão habitáveis quanto as nossas. E talvez seja possível mesmo visitar as dimensões espaciais enroladas do nosso Universo, escapando de um destino horroroso que nos esperaria se ficássemos por aqui!

Os cientistas hoje anteveem dois possíveis destinos finais para o Cosmos como o conhecemos. Caso a expansão continue se acelerando, como hoje, teremos um final "frio", com a diluição completa de tudo que existe, até sobrar apenas um mar de partículas elementares num vácuo. Mas existe a chance de que a expansão do Universo seja contida no futuro e tenha início um processo de reversão, em que o Cosmos inteiro comece a implodir. Esse final "quente" culminaria num big crunch, um bigbang às avessas, do qual nada poderia escapar.

Bem, nada que estivesse nas nossas 3 dimensões habituais, pelo menos. Mas, para Michio Kaku, que trabalha na Universidade da Cidade de Nova York, caso o nosso Universo esteja para morrer numa implosão, daqui a zilhões de anos, talvez possamos manipular as forças da natureza para expandirmos as dimensões enroladas e nos abrigarmos lá. Assim, esperaríamos num lugar seguro pela compactação final do Universo (big crunch) e a retomada da expansão (um novo bigbang!) para voltarmos a habitar as dimensões que nós conhecemos tão bem (leia mais sobre outras maneiras de escapar do Juízo Final na reportagem número 28).

Claro, tudo isso passaria, em primeiro lugar, pela decifração da versão correta da Teoria das Supercordas, que explicasse o Universo em que vivemos, e da confirmação experimental de que essas dimensões adicionais enroladas realmente existem. Desnecessário dizer que estamos longe disso, embora, caso os cientistas tenham muita sorte, o acelerador de partículas recéminaugurado na Europa, o LHC, possa dar pistas de onde podem estar essas dimensões enroladas tão tímidas e misteriosas. Se isso tudo soa para você como loucura completa, não se incomode tanto. Afinal, para a ciência do impossível, tudo acaba sendo possível.

  Fonte:  Revista Super interessante - Maio de 2009




2. Segundas dimensões



Não é ficção: talvez o mundo tenha mesmo outras dimensões ocultas, que podem esconder universos inteiros iguais ao nosso.

por Texto Salvador Nogueira e Alexandre Versignassi
É a clássica história de terror: um monstro salta de outra dimensão para seqüestrar a pobre menininha. Quantas vezes esse enredo não foi reciclado na literatura e na TV? Ninguém pode negar que a premissa parece fantástica demais. Mas, segundo muitos físicos, talvez seja tudo verdade – talvez existam mesmo outras dimensões, com universos inteiros escondidos dentro delas.
Parece loucura? Os cientistas são os primeiros a admitir que sim. É que, segundo eles, estamos falando de uma física do futuro, deduzida “por acidente” no sé­culo 20.
A história começa com – adivinhe – Albert Einstein. O físico alemão tentava bolar uma teoria que explicasse a força eletromagnética e a gravidade numa tacada só. Einstein queria unificar o reino da física quântica, onde moram as explicações para o eletromagnetismo, e o da relatividade geral, que mostra como a gravitação funciona.
Mas as duas teimavam (e ainda teimam) em mostrar que não têm nada a ver uma com a outra. A idéia de juntá-las numa única teoria, num único cenário, parecia impossível. E toda a comunidade científica dizia que Einstein estava perdendo tempo...
Toda? Não. Theodor Kaluza, um outro físico alemão, socorreu Albert com uma teoria estranha. Em 1919 mandou-lhe algumas folhas cheias de contas. Eram equações mostrando que dava, sim, para explicar que o eletromagnetismo e a gravidade eram faces diferentes da mesma moeda. Mas com uma condição: apenas se essas forças existissem num universo com 4 dimensões de espaço, em vez de 3. Mas espera aí: como assim 4 dimensões? Bom, viver num espaço 3D, que nem este aqui à sua volta, significa ter como se mover em 3 direções independentes: direita/esquerda, para cima/para baixo e para a frente/para trás. Qualquer movimento que você fizer será nada mais do que uma combinação entre essas direções.
Mais: as pessoas geralmente precisam de 3 informações para achar alguém num espaço tridimensional. Na hora de marcar um encontro, por exemplo, você pode dizer que estará na rua tal (dimensão direita/esquerda), número tal (dimensão para a frente/para trás), andar tal (para cima/para baixo). E ainda precisa dar uma quarta dica para não levar bolo: o horário do encontro. Pronto: com 3 dimensões de espaço e uma de tempo qualquer um acha você. Mas num espaço 4D não. Ele vem com uma direção a mais, e que não é nenhuma das que a gente conhece. Duro de imaginar. Mas não impossível. Se desse para a gente andar numa dimensão extra, poderíamos chegar a qualquer ponto do nosso mundo 3D por atalhos inusitados. É como se a 4ª dimensão tivesse o poder de torcer e retorcer o nosso espaço: ela criaria ligações impossíveis entre pontos distantes. Paris, Plutão ou a galáxia de Andrômeda poderiam estar a um passo daqui. Como? As imagens lá em cima ajudam a visualizar isso. E um pouco de exercício mental também. Imagine um livro que tenha páginas bidimensionais, com largura e comprimento, mas sem espessura nenhuma. Um livro assim poderia conter um número infinito de páginas e continuar fininho. Do mesmo jeito, uma caixa de fósforos com 4 dimensões poderia abrigar uma quantidade infinita de objetos 3D, como o seu corpo e a galáxia de Andrômeda. Pois é: uma 4ª dimensão abre mais espaço entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.
E do que sonhava a matemática. Kaluza inventou sua dimensão extra porque isso lhe permitiria bolar equações extras para unificar as forças. Na física, novas fórmulas brotam naturalmente quando o cientista imagina uma nova realidade. “Assim ele descobriu algo extraordinário: essas novas equações que surgiam para explicar a gravidade num mundo de 4 dimensões eram nada menos que as fórmulas criadas para descrever o eletromagnetismo”, escreveu o físico Brian Greene, da Universidade de Nova York, em seu livro O Tecido do Cosmos. Quer dizer: num mundo 4D, pelo menos em teoria, até duas forças que parecem não ter nada a ver uma com a outra podem se transformar na mesma coisa.
Mas a idéia de uma dimensão que está aqui, bem na nossa cara, e mesmo assim continua invisível não agradava. Então um físico sueco chamado Oskar Klein resolveu dar um jeito nisso. E, em 1926, sugeriu que não dava para ver essa outra dimensão por um motivo simples: ela estaria escondida no mundo ultramicroscópico, enrolada em si mesma, como se fosse um canudinho.
Assim: se você olha um canudo de longe, ele parece fino a ponto de ocupar só uma dimensão de espaço (esquerda/direita), como se não tivesse espessura. Agora imagine uma formiguinha andando ali em cima. Do ponto de vista dela, há mais direções para se mexer do que de um lado para o outro. O bicho, afinal, é pequeno o bastante para andar também pela circunferência do canudo. Mas, para quem olha de longe, é como se a formiga caminhasse por uma dimensão invisível. Com a 4ª dimensão seria a mesma coisa. Só que ela existiria num espaço realmente pequeno, com raio de 10-33 centímetro, ou 1 milionésimo de bilionésimo de bilionésimo de bilionésimo de centímetro. Tentar vê-la seria como medir a espessura de um canudo na superfície da Lua – sem telescópio. Mesmo assim, foi essa versão que pegou. E a teoria virou uma favorita de Einstein em seus últimos anos de vida. Com a morte do físico, em 1955, foi-se quase todo o interesse pela idéia. Só que o mundo real estava prestes a ficar bem mais complexo.
Os novos átomos
Enquanto o vovô Einstein se debatia buscando a unificação das forças, cientistas mais jovens cavucavam o terreno pedregoso da física quântica, que descreve o mundo infinitesimal dos átomos. E acabaram descobrindo outras além da gravidade e do eletromagnetismo. A mais importante é a força nuclear forte, a supercola que mantém as partículas do núcleo atômico unidas. Além disso, ainda descobriram várias partículas novas e misteriosas. Com tanto trabalho pela frente depois desses achados, ninguém mais queria saber dessa história de dimensões extras, de unificar forças...
Só que um grupo de cientistas chegou, remou contra a maré e, no começo dos anos 70, acabou dando vida nova ao sonho do alemão.
Esse pessoal, liderado por jovens físicos como os americanos Leonard Susskind e John Schwarz, resolveu que o melhor jeito de unificar a física quântica e a relatividade era ver se todas as forças poderiam ter uma natureza comum. Checar se todas vinham de um mesmo “ancestral”. Para entender isso direito, vamos dar uma pausa.
A essa altura, a física quântica já tinha descrito os componentes fundamentais de quase tudo o que existe. Viu que boa parte da matéria conhecida é feita de apenas dois componentes: os quarks, que compõem o núcleo atômico, e os elétrons, que orbitam em volta deles. Mostrou também que as forças, como o eletromagnetismo, são feitas de partículas, que funcionam como “átomos” de energia. As da nuclear forte, por exemplo, receberam o nome de glúons. As do eletromagnetismo, fótons. E a gravidade ficaria a cargo dos grávitons. Isso é praticamente tudo o que existe no Universo. Essas 5 coisas formam dos seus dentes à luz do Sol, da força dos ímãs de geladeira às geladeiras propriamente ditas.
Mas e aí? Essas partículas elementares são feitas, elas mesmas, de alguma coisa? De onde vieram as danadas? Nem queira perguntar isso a um físico quântico. Ele vai dizer que elas são o que são. E pronto. Mas aquele povo que tentava retomar as idéias de Einstein apareceu com uma resposta menos broxante: do mesmo jeito que seu corpo, um parafuso ou uma estrela são feitos de quarks e elétrons idênticos, as partículas fundamentais também teriam “miniátomos” dentro delas.
E concluíram: tanto as forças da natureza como a própria matéria, ou seja, TUDO seria feito de pequenas cordas vibrantes. Pequenas mesmo: mil quintilhões de vezes menor que um núcleo atômico. Quer dizer: se você esticasse o centro de um átomo até o diâmetro do sistema solar, essa corda apareceria com o tamanho de uma árvore. Para ver uma coisa tão diminuta, você precisa de um “microscópio” bem grande: um acelerador de partículas do tamanho da Via Láctea. Má notícia.
Só que isso não desmotivou os defensores da idéia. E a teoria ficou cada vez mais popular, inclusive entre os leigos. Muito disso por uma razão especial: as cordas trazem de volta para a ciência a magia das dimensões extras de Kaluza e Klein. Hora de mergulhar nesse mundão de novo.
Seis dimensões escondidas
Para começar a viagem, esqueça os quar-ks, fótons, glúons... Lembre-se de que, segundo a teoria de Susskind, Schwarz e cia., as partículas que formam o coração de toda a matéria e energia do Universo não existem. Ponto. Se desse para olhar bem no fundo, você veria que cada uma delas é feita de uma única cordinha que sacode sem parar. Mas de jeitos diferentes.
Se uma corda vibra num “tom” específico, ela aparece aos nossos olhos como um quark. Se toca em outra toada, surge com a forma de um elétron. Mais outra e temos um gráviton. As partículas fundamentais, enfim, seriam apenas a forma como nossos sentidos percebem a sinfonia das cordas, os verdadeiros átomos do Universo.
E essa música não poderia existir sem a idéia das dimensões extras. Por um motivo simples. Imagine uma corda de violão esticada em cima de uma mesa. Só daria para ela vibrar em duas dimensões (esquerda/direta, para a frente/para trás), certo? Então o som não ficaria lá essas coisas. Mas aí, se você tira a corda da mesa para que ela possa vibrar livremente em 3 dimensões, o timbre melhora. Mas ei: e se desse para liberar mais do que 3 dimensões para essa corda? Ela faria sons cada vez mais complexos. E físicos concluíram que essas cordas ultramicroscópicas precisariam de muito, muito mais dimensões para sacudir. Só assim elas vibrariam com energia suficiente para fazer partículas surgir do nada.
Os cálculos mostraram que só daria para obter esse efeito se houvesse 9 dimensões de espaço. Ok. Mas onde ficariam as outras 6? A resposta está em Klein: elas só poderiam estar enroladas num espaço ínfimo. Formariam um novelo de “canudinhos” com 10-33 centímetro de extensão, coisa que os físicos batizaram como espaço de Calabi-Yau. Cada corda, então, moraria dentro de um “cubículo” hexadimensional. E assim poderia tocar sua música à vontade num louco mundo 9D. Agora segura aí. A viagem mal começou.
Zilhões de universos
Mais uma dimensão. E desta vez uma especialmente grande, capaz de embrulhar todas as outras. Foi isso que o físico americano Edward Witten sugeriu para a Teoria das Cordas em 1995. Parece pouco, mas se trata de uma das maiores inovações da física teórica desde Einstein. Nascia a grande evolução da idéia das cordas: a Teoria M (de Matrix, ou Mãe... o americano nunca revelou o significado do M).
Essa 10ª dimensão que Witten pro-pôs serviria como uma espécie de “pele” protetora para as outras. Segundo os cálculos dele, essa membrana (ou brana, como preferem os físicos) seria nada menos que as paredes do Universo. Isso mesmo: as paredes.
Dentro delas existiriam 3 dimensões extendidas até o limite do Cosmos – estas aqui bem na nossa cara e que chamamos de mundo – mais as 6 microscópicas do espaço de Calabi-Yau, mais a do tempo. Até aí, nada de mais. O salto é que a idéia de Witten abre portas para algo estarrecedor: tudo aquilo que conhecemos como Universo seria apenas um terreninho perdido na imensidão de outra coisa – um lugar cheio de universos “embrulhados” em suas branas. Tudo formando uma estrutura descomunal: o Multiverso. Uau.
Mas não faltam cientistas que vêem essa coisa toda de um jeito simples. Para Brian Greene, por exemplo, isso é como se a gente vivesse num pão de forma. Nosso Cosmos seria como uma fatia dentro de um pão maior, o Multiverso.
Mas e aí? Esse desvario de Witten muda alguma coisa para a física? Muda, sim. Um Multiverso cheio de branas (ou um pão cheio de fatias) pode explicar um dos grandes mistérios da ciência: a fraqueza da gravidade.
Quando você leva um tombo, ela não parece nada fraca. Mas, se a gente for comparar com as outras forças, a gravidade vira nada. Por exemplo: basta um ímã de geladeira para levantar um clipe de papel do chão. E não importa que a gravidade do planeta inteiro tente puxá-lo para baixo. O eletromagnetismo, afinal, é nada menos que mil bilhões de bilhões de bilhões de bilhões de vezes mais forte que ela (ou o número 1 seguido de 39 zeros). Um exagero até em termos cósmicos.
Mas a idéia do Multiverso fez com que muitos físicos concluíssem que não, a gravidade é tão poderosa quanto as outras forças. Só que estaria diluída entre zilhões de universos. Por quê? Bom, você, os fótons e tudo o mais estariam confinados na nossa brana, na nossa fatia de pão, para sempre. Mas a gravidade não. Ela seria a única coisa com o poder de atravessar as branas, de viajar pelo Multiverso. Cientistas, então, acreditam que os grávitons, os “átomos” dessa força, vazam daqui e se espalham para outros cosmos. Desse jeito, a gravidade parece menos intensa que o eletromagnetismo. Mas não é.
E não fica nisso. Alguns acham que esse vazamento até pode explicar o enigma da matéria escura. Lembre-se: ninguém faz idéia de onde vem mais de 80% da gravidade do Universo. Simplesmente não existem planetas, estrelas ou buracos negros em quantidade suficiente para produzir toda a gravidade que os astrônomos observam no céu – principalmente no jeito monstuoso como essa força acelera a rotação das galáxias. E a resposta pode estar nas branas, pelo menos segundo o físico Nima Arkani-Hamed, da Universidade Harvard. Ele, e alguns outros, afirmam que a tal força fantasma não vem de “matéria escura” coisa nenhuma, mas de outros universos. Seria gravidade de outras branas vindo parar aqui.
Mais: Paul Steinhardt, da Universidade Princeton, sugere que o big-bang, a explosão que deu origem ao nosso Universo há 13,7 bilhões de anos, só aconteceu porque a nossa brana esbarrou com outra numa colisão titânica. Nós só estaríamos aqui por causa desse pequeno incidente no Multiverso...
E Savas Dimopoulos, da Universidade Stanford, vai mais longe: defende que um dia poderemos telefonar para os eventuais ETs de outras branas. Precisaríamos basicamente de um celular intercósmico. Pois é: os nossos telefones móveis se comunicam trocando fótons (ou ondas eletromagnéticas, para usar um termo mais familiar). Então bastaria criar “celulares” que usem grávitons, a fonte das chamadas ondas gravitacionais. O problema é que ninguém achou uma onda gravitacional até hoje. Mas que elas existem, existem, dizem os teóricos.
E qual é a verdade por trás de tudo isso? Como diria Jack Pallance, “acredite se quiser”. Ninguém sabe. “De certo modo é apropriado que essa área de pesquisa soe como ficção, porque a maior parte dela provavelmente é”, diz Lawrence Krauss, da Universidade Case Western, nos EUA. Mas, para ele e a maior parte dos físicos, o que interessa é a luta para decifrar a verdade por trás do Universo. “Somos programados para gostar de resolver mistérios. Especialmente quando a solução está longe.”

Para saber mais

O Universo Elegante - Brian Greene, Companhia das Letras, 2001
Hiding in the Mirror - Lawrence Krauss, Viking Press, EUA, 2005



3 - Quantas dimensões a física conhece?

por Victor Bianchin; Marina Motomura | Edição 95

Oficialmente, apenas quatro, mas há teorias que sugerem até dez dimensões. Uma das correntes científicas que defendem as dez dimensões é a Teoria das Supercordas, que afirma que as dez dimensões interagiriam entre si como as cordas de um violino. Mas tudo fica só na especulação: os próprios cientistas admitem que, com a tecnologia - atual, ainda não é possível comprovar as dez dimensões.

Os dez mandamentos

Na Teoria das Supercordas, dimensões vão de uma simples reta até um conjunto de big-bangs

1. Antes da primeira dimensão, existe a dimensão zero, que é apenas um ponto. A conexão entre dois pontos forma a primeira dimensão, que é uma reta. Nosso conceito de largura vem dessa conexão entre os pontos

2. O plano é a segunda dimensão. Para ser bidimensional, um objeto precisa de dois valores numéricos (correspondentes aos nossos conceitos de largura e comprimento) para ser situado, porque ele tem dois eixos

3. A terceira dimensão é o espaço. Para um objeto, isso significa ganhar profundidade e se tornar tridimensional, ou seja, ser dono de três valores numéricos que o situem (largura, comprimento e profundidade)

4. A quarta dimensão é a duração ou o tempo. Ela é a linha que leva cada ser quadrimensional (como nós, seres humanos) do começo (eu bebê) ao final da existência (eu velhinho). Nós não percebemos essa dimensão, por isso não podemos voltar ou avançar no tempo para ver nossos "eus" passados e futuros

5. Na quarta dimensão, a cada momento, uma série de variáveis define o que seremos no instante seguinte. A versão que fica (o eu "normal") é apenas uma entre infinitas que poderiam rolar (como o "eu viking", "eu pirata" e "eu palhaço"). A quinta dimensão é o conjunto de todas essas versões

6. A sexta dimensão é o caminho entre as possibilidades da 5D. Seria como se todas as suas infinitas versões estivessem dispostas em um plano, como uma folha, e você pudesse dobrar essa folha, encostando um lado (o "eu normal", por exemplo) em outro lado (como o "eu viking")

7a. Os vários "eus" possíveis da 6D estão dentro de um universo. A sétima dimensão pega o conceito de linha temporal da 4D e aplica a todo esse universo, traçando uma linha do tempo que começa no big-bang, evento que teria dado início a tudo

7b. Mas não é só: a sétima dimensão também diz que, assim como cada um de nós, o universo também pode ter várias versões, e estabelece que existem universos alternativos ao nosso, originados do mesmo big-bang

7c. O "nosso" big-bang é apenas uma possibilidade. Podem existir outros big-bangs diferentes que podem ter dado origem a outros universos, os quais também podem ter infinitas versões. A 7D reúne todos os big-bangs e todos os infinitos universos possíveis

8. Imagine que cada uma dessas bolinhas da imagem acima é um dos big-bangs (com seus respectivos universos derivados) existentes na sétima dimensão. A oitava dimensão é um vértice, um ponto de intersecção a partir do qual se pode chegar a qualquer uma das "bolinhas"

9. Partindo da figura da 8D, imagine que o vértice é um ponto onde o plano formado antes pode ser dobrado. A nona dimensão nada mais é do que uma dobra nesse plano, para encostar um big-bang no outro e permitir viajar entre eles - como as viagens entre os "eus" na 6D

10. A décima dimensão é o conjunto de todos os caminhos para todos os big-bangs, que dão origem a todos os universos. Imagine pegar todas as nove dimensões e juntar tudo num pontinho. Essa é a décima dimensão - o fim do caminho, de onde não há mais para onde ir