sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Canção da Tribo Mamuna da Papua do Sul

 Orin Ẹ̀yà Mámúnà ti Gúúsù Pápúà

Canção da Tribo Mamuna da Papua do Sul

Song of the Mamuna Tribe of South Papua.


Canção de Drew Binsky ‧ 2023


Dibaiê dibaiô kuraîquidê î ô

Dekû kurakauná nake ibutuaê Ikuranê debaiê

Dibaiê dibaiô kuraîquidê î ô

Dibaiêi oabaî oianamaba yaiuú yaba uô uô

Tradução

"Dia após dia nós caminhamos, nossos pés pressionam a mesma terra que nossos pais e os pais de nossos pais caminharam dia após dia, enquanto eles seguiam em frente.
Dia após dia nós caminhamos, silêncio, pequeninos, não digam à Mãe Terra que a amamos ainda.
Nós dormiremos nela em breve, mas por enquanto, nós continuamos a caminhar."

Tó o bá fẹ́ ìsọfúnni síwájú sí i - Se você precisar de mais informações:

https://www.youtube.com/watch?v=2RfsK4AgMOo

Wo àlàyé ọ̀rọ̀ (veja o glossário):

Orin: canção, música.É o substantivo básico em iorubá para qualquer tipo de composição musical ou canto.

Ẹ̀yà: tribo, etnia, raça, departamento. Refere-se a uma divisão, grupo étnico ou clã de pessoas que compartilham a mesma cultura ou origem.

Ẹ̀yà Mámúnà, s. Tribo Mamuna. A Tribo Mamuna (ou povo Mamuna) é uma subtribo dos Korowai (também chamados de Kolufo) que habita a região de Papua do Sul, na Indonésia, na ilha da Nova Guiné. O grupo ganhou grande projeção internacional nas redes sociais e plataformas de streaming devido ao seu canto tradicional harmônico, que viralizou globalmente.

Ti: de, do, Da. É uma partícula de posse ou origem em iorubá, equivalente à preposição "de" em português. 

Gúúsù: Sul (ponto cardeal). É a palavra iorubá oficial para a direção sul.

Pápúà: Papua (nome próprio). É a adaptação fonética e ortográfica da palavra "Papua" para o idioma iorubá.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Será que todos os membros do partido Comunista Chinês são ateus?

 Ǹjẹ́ gbogbo mẹ́ḿbà Ẹgbẹ́ Kọ́múnístì ilẹ̀ Ṣáínà jẹ́ àwọn aláìgbàgbọ́ nínú wíwà Ọlọ́run kan

Será que todos os membros do partido Comunista Chinês são ateus?

Não, nem todos os membros do PCC são ateus na prática. Embora exista uma exigência estatutária rígida de ateísmo por parte da organização, há uma clara divergência entre as regras oficiais e a conduta privada de muitos integrantes.

O Regulamento Oficial vs. A Realidade Prática

. A Regra Oficial: O estatuto do PCC e as diretrizes do presidente Xi Jinping exigem o ateísmo marxista estrito. Os filiados são formalmente proibidos de aderir a religiões ou participar de cultos públicos, sob o risco de punições graves e expulsão da legenda.

. A Realidade dos Fatos: Dados do instituto de pesquisa Pew Research Center revelam que diversas práticas espirituais persistem nos bastidores do partido de forma discreta.

Dados sobre a Religiosidade dos Membros

. Identificação Religiosa: Cerca de 6% dos membros do PCC se declaram abertamente vinculados a religiões formais (como Budismo, Cristianismo, Islã ou Taoísmo).

. Práticas Tradicionais: Aproximadamente 40% dos integrantes afirmam adotar ou acreditar nos princípios do Feng Shui.

. Cultura Familiar: É comum a participação reservada em rituais folclóricos ou visitas sazonais a templos no âmbito puramente privado e familiar.

Wo àlàyé ọ̀rọ̀ (veja o glossário):

Ǹjẹ́: partícula que inicia perguntas de sim ou não (equivalente a um ponto de interrogação no início da frase).

Gbogbo: todos, todas.

Mẹ́ḿbà: membro (uma transliteração direta da palavra inglesa "member").

Ẹgbẹ́: partido, associação, sociedade.

Kọ́múnístì: comunista (outra transliteração do inglês "communist").

Ilẹ̀: terra de (neste contexto, indica origem).

Ṣáínà: China (transliteração de "China").

Jẹ́: são, é (verbo ser).

Àwọn: marcador de plural (transforma o termo seguinte em plural).

Aláìgbàgbọ́: incrédulo. (Formado por oní- [possuidor de] + àì- [prefixo de negação] + gbàgbọ́ [acreditar/crer]).

Nínú: em, dentro de.

Wíwà: existência (vém de wà, o verbo existir/estar).

Ọlọ́run: Deus supremo. 

Kan: um, único.


sábado, 22 de agosto de 2026

Árvore Genealógica de Orlandes Rosa Farias

Ìlà Ìdílé Ọláńdésì Rọ́sà Fáríàsì.
🌳Árvore Genealógica de Orlandes Rosa Farias
  • Orlandes Rosa Farias (Filho)
🧑‍🍼 Lado Paterno
  • Matias Rosa Farias (Pai)
    • João Rosa Farias (Avô Paterno)
    • Conceição Vaz da Silva (Avó Paterna)
🧑‍🍼 Lado Materno
  • Cecília Gomes de Oliveira (Mãe)
    • José Gomes de Oliveira (Avô Materno)
    • Ana Moreira de Carvalho (Avó Materna)

sábado, 1 de agosto de 2026

Àkókò Kan Láti Ronú Jinlẹ̀ (momento de reflexão): O Animismo como Resposta à Crise da Modernidade.

 

Àtúnbí Àwọn Òrìṣà (Nẹ́tẹ́rù)ìbọgibọ̀pẹ̀ Gẹ́gẹ́ Bí Ìdáhùn Sí Àwọn Ìpèníjà Òde-Òní.

O Resgate dos Neteru: O Animismo como Resposta à Crise da Modernidade.

                                          Olùkọ́ Ọláńdésì Rọ́sà Fáríàsì - Professor Orlandes Rosa Farias

          A humanidade contemporânea enfrenta uma de suas maiores provações: a crise climática. Este cenário não é apenas o resultado de falhas técnicas ou econômicas, mas sim o sintoma de uma profunda desconexão espiritual e filosófica entre o homem moderno e o meio ambiente. Ao longo dos séculos, a sociedade ocidental estabeleceu uma barreira rígida entre o que considera "Cultura" e "Natureza", reduzindo o planeta a um mero depósito de recursos a serem explorados. Diante desse colapso iminente, olhar para o passado — especificamente para o Kemetismo e o culto aos Neteru — surge não como um retrocesso místico, mas como um farol de lucidez. O resgate dessa tradição egípcia, sob uma perspectiva essencialmente animista, oferece a filosofia necessária para reconstruirmos nossa relação com o cosmos.

          O cerne dessa mudança reside na compreensão de que o universo não é um objeto inanimado. O Kemetismo nos ensina a enxergar o sagrado em cada folha, vento ou gota de chuva, validando a premissa de que a matéria é dotada de vida. Essa visão ecoa milênios depois no hilozoísmo dos primeiros filósofos da natureza da Grécia Antiga, como Tales de Mileto e Anaxímenes. Quando Tales afirmava que "tudo está cheio de deuses", ele validava tardiamente o antigo reconhecimento kemético de que as divindades são as próprias leis e forças que regem o cosmos. A natureza, portanto, pulsa; ela não é um cenário estático, mas uma entidade viva e divina que exige respeito e reverência.

          Essa vitalidade universal nos conecta diretamente ao conceito de panpsiquismo e à ideia de uma "Alma do Mundo". Para os antigos egípcios, o meio ambiente era a manifestação direta da energia criadora, e a humanidade carregava em si a mesma centelha divina do cosmos. Séculos mais tarde, pensadores como Giordano Bruno e Baruch Spinoza — com o seu célebre conceito de Deus sive Natura (Deus ou a Natureza) — argumentariam de forma semelhante que Deus e o universo são a mesma substância. Se a força vital e o espírito permeiam toda a matéria existente, o ser humano deixa de ser um observador externo e passa a ser parte indissociável de um sistema vivo interconectado.

          Essa mudança de percepção ataca diretamente a raiz do problema apontado por antropólogos e filósofos contemporâneos, como Edward Tylor e Philippe Descola. Ao superarmos a desconexão moderna, entendemos que o homem não é o dono do planeta. Essa sabedoria se materializa perfeitamente no princípio egípcio da Ma'at, a lei do equilíbrio cósmico. A Ma'at nos ensina que a sustentação do mundo depende de uma cooperação contínua e ética entre a humanidade, as divindades e os elementos naturais. Essa busca por reciprocidade assemelha-se fortemente ao pensamento de lideranças indígenas modernas, como Ailton Krenak e Davi Kopenawa, que defendem uma relação de parentesco, e não de dominação, com a Terra. Se os elementos ao nosso redor — como o ar, a água e a terra — são seres vivos, nossa interação com eles deve ser pautada pela justiça e pela harmonia.

          Em suma, o Kemetismo e a ontologia animista oferecem muito mais do que um vislumbre histórico; eles entregam uma urgência ecológica e existencial. Transformar nossa visão de mundo significa abandonar a arrogância antropocêntrica que nos trouxe à beira do abismo ambiental. Reconhecer os Neteru nas forças da natureza é compreender que curar o planeta exige, fundamentalmente, curar a forma como nos enxergamos nele. O equilíbrio da Ma'at não é uma utopia do passado, mas a única saída viável para o futuro.

Wo àlàyé ọ̀rọ̀ (veja o glossário):
- Àtúnbí: renascimento, regeneração. 
- Àwọn: marcador de plural (os/as). 
- Nẹ́tẹ́rù: neteru, orixás, divindades (uma palavra de origem egípcia antiga/Kemética, Ntr ou Netjeru, frequentemente usada por movimentos intelectuais pan-africanistas e espiritualistas em sincretismo com o iorubá).
- Ìbọgibọ̀pẹ̀: espiritualidade tradicional baseada na natureza (literalmente, "o culto a árvores e palmeiras", termo historicamente usado de forma pejorativa por religiões abraâmicas para traduzir "paganismo" ou "animismo", mas ressignificado hoje como preservação e reverência ecológica). 
- Gẹ́gẹ́ Bí: assim como, na qualidade de, como.
- Ìdáhùn: resposta.
- Sí: para, em direção a.
- Ìpèníjà: desafio. 
- Òde-Òní: tempos modernos, atualidade ou contemporaneidade.


quarta-feira, 22 de julho de 2026

Orin Ọ̀sányìn

Orin entoado no ritual do Sassanha (Ṣàṣànyìn) ou no Ipade para trazer calmaria e estabilidade.
Orin àwọn ewé (cantiga das folhas)
Ewe balẹ̀ kòṣòro
Ewe balẹ̀ kòṣòro
Kùkùndùnkù olorí ewé
Farabalẹ̀ kòṣòro
Tradução e Significado Ritual:
- A folha toca o solo e não encontra dificuldades. 
A batata-doce é a folha dona da cabeça (fornece equilíbrio).
Acalme-se, tenha paciência, pois tudo se resolverá sem dificuldades.
  Wo àlàyé ọ̀rọ̀ (veja o glossário):
1. Ewe balẹ̀ kòṣòro: a folha toca o chão e não há dificuldade (ou não há problemas).  Esta frase saúda o poder das folhas em trazer equilíbrio e paz. Quando a folha toca a terra com a bênção dos orixás, ela neutraliza as negatividades e limpa o caminho, garantindo que a vida corra sem dificuldades intransponíveis.
- Ewe: folha.
- Balẹ̀ (ba ilẹ̀): tocar o chão, pousar na terra. É uma expressão que carrega forte sentido de respeito, reverência e estabilização de energia.
- Kòṣòro (kò ṣòro): não é difícil, não traz problemas ou não há sofrimento. 
2. Kùkùndùnkù olorí ewé: a batata-doce é a líder (a rainha) das folhas. No contexto das rezas litúrgicas, muitas plantas recebem títulos de nobreza devido às suas propriedades espirituais e medicinais. A rama e a raiz da batata-doce têm forte ligação com a ancestralidade, a fertilidade e a doçura (atração de boas energias e prosperidade). Chamá-la de "olorí ewé" reconhece sua soberania e importância dentro daquele ritual específico.
- Kùkùndùnkù: é o nome em iorubá para a planta da batata-doce (Ipomoea batatas).
- Olorí: líder, chefe, dono da cabeça, aquele que está acima ou no topo.
- Ewé: folha. 
3. Farabalẹ̀ kòṣòro: acalme-se (fique tranquilo), não há dificuldade. É um comando ou uma afirmação de conforto espiritual. O canto assegura aos presentes que, sob a proteção das folhas e das divindades, as ansiedades devem ser deixadas de lado porque a paz e a resolução dos problemas estão garantidas.
- Farabalẹ̀ (fi ara ba ilẹ̀): literalmente significa "colocar o corpo no chão", uma metáfora iorubá muito usada para dizer "acalme-se", "tenha paciência", "mantenha os pés no chão" ou "fique tranquilo".
- Kòṣòro (kò ṣòro): não é difícil, não há problema.
- Ọ̀sányìn: orixá das folhas litúrgicas e medicinais.