quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Renascimento indígena

Ìtúnṣe ti ọmọ-ìbílẹ̀.
Renascimento indígena. 

Texto 1. Asiáticos e índios vêm de grupo chinês de 40 mil anos, mostra DNA




Cientistas analisaram osso de perna descoberto em 2003 em caverna. Primeiros humanos modernos em Pequim se diferenciavam de europeus.


Os atuais asiáticos e indígenas das Américas são descendentes de um grupo de pessoas que viveu na China há 40 mil anos, segundo análise do DNA de um fóssil cujo estudo foi publicado esta semana nos Estados Unidos.
A análise genética do osso de uma perna descoberto em 2003 em uma caverna em Tianyun, na China, mostrou que os primeiros humanos modernos em Pequim se diferenciavam geneticamente de seus ancestrais, os europeus modernos.
Osso de perna dá indícios sobre origem do homem moderno (Foto: Instituto Max Planck/Divulgação)Fragmentos de osso de perna dão indícios sobre origem do homem (Foto: Instituto Max Planck/Divulgação)
Para a pesquisa, realizada por cientistas do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha, e da Academia Chinesa de Ciências, foi usado o DNA nuclear e mitocondrial do fóssil.
Com base nessas análises, foi reconstruído o perfil genético do dono da perna, um indivíduo que viveu em uma época relevante da história dos humanos modernos, afirmaram os cientistas em comunicado divulgado na segunda-feira (21).
"Essa pessoa viveu durante uma importante transição evolutiva dos primeiros humanos modernos, que compartilhavam algumas características com as espécies anteriores, como os neandertais, e substituíram os neandertais e os denisovanos, posteriormente extintos", disse o principal autor do estudo, Svante Paabo, do Max Planck.
Osso de perna dá indícios sobre origem do homem moderno (Foto: Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados/Divulgação)Osso foi achado em caverna (Foto: Instituto de Paleontologia e Paleoantropologia de Vertebrados/Divulgação)
A análise genética dos ossos antigos mostrou semelhanças com os perfis dos asiáticos e nativos americanos da atualidade, explicaram os pesquisadores. O estudo também demonstrou que os primeiros humanos modernos que viveram perto de Pequim já tinham se separado geneticamente dos ancestrais dos europeus modernos. Além disso, a proporção de DNA dos neandertais e dos denisovanos não era maior que a dos humanos modernos na região.
Cientistas já tinham encontrado fósseis de habitantes da Eurásia de 40 mil e 50 mil anos, com um aspecto similar aos seres humanos de hoje. No entanto, os pesquisadores destacam em que a relação genética entre esses primeiros humanos e a população atual não tinha tomado forma, como agora.
"Análises adicionais dos primeiros humanos modernos de toda a Eurásia nos permitiriam ajustar nossa compreensão de quando e como os humanos modernos se distribuíram pela Europa e Ásia", disse Paabo.
Texto 2. Estudo faz ligação de índios do Brasil a asiáticos



Com lindas garotas orientais, e um preço altamente competitivo as marcas chinesas chegam com muita força no Brasil
24/10/2002
Autor: EVANILDO DA SILVEIRA
Fonte: Estado de S. Paulo-São Paulo-SP
Pesquisadora mostra semelhanças por comparação genética dos povos 


Índios brasileiros e povos do sudeste da Ásia e ilhas do Pacífico têm algo mais comum além dos olhos puxados. Uma pesquisa realizada pela bióloga Daniela Maria Ribeiro, para sua dissertação de mestrado, apresentada à Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, mostra que os índios paracanã e xicrin, que vivem no sul Pará, são aparentados geneticamente com populações da China, Índia e Indonésia. É mais um indício de que as Américas foram colonizadas por povos vindos da Ásia, passando pelo Estreito de Bering, há cerca de 11 mil anos. 

O estudo reforça essa teoria, que não é a única a buscar uma explicação para a origem dos nativos americanos. Há uma outra corrente de cientistas que defende que os primeiros humanos a povoar a América descendem de povos africanos e chegaram aqui bem antes. "Meu trabalho não acaba com a polêmica", diz Daniela. "Mas é uma contribuição às discussões sobre a ancestralidade dos ameríndios. Ele não trata da época de chegada dos primeiros habitantes da América, nem se eles foram africanos ou asiáticos, mas corrobora as teorias de que eles de fato descendem dos segundos." 

Para chegar a essas conclusões, a bióloga analisou o marcador genético alfa-MRE (alpha-Major Regulatory Element), um segmento de DNA de 300 pares de base. O objetivo era determinar os polimorfismos (variações genômicas responsáveis pela diversidade genética entre os indivíduos de uma mesma espécie) presentes nessa pequena seqüência de DNA e compará-los aos encontrados nas populações já investigadas por cientistas estrangeiros, particularmente as asiáticas. 


Amostras - Para isso, Daniela analisou amostras de DNA de 70 índios paracanã e de 95 xicrin. Depois de seqüenciar todas as amostras, ela identificou apenas os haplótipos (combinações de polimorfismos que são transmitidos em bloco de geração para geração) dos tipos A e B, os mesmos presentes em povos asiáticos. Há ainda, em populações humanas, os haplótipos C, D, E e F. Em povos africanos, por exemplo, encontram-se o E e o F. Entre os europeus é mais comum o C. 

Daniela observou que, em 330 cromossomos dos indígenas estudados, havia o predomínio do haplótipo A (80% contra 20%), justamente o que é mais freqüente nos asiáticos. "A análise que fiz me permitiu concluir que os paracanã não diferem de nenhum dos povos do Sudeste Asiático e da Indonésia já estudados", explica. "A tribo Xikrin, por sua vez, que apresentou a freqüência do haplótipo A extremamente elevada (87%), diferiu significativamente dos chineses e indianos, mas não dos indonésios, que apresentam maior prevalência do haplótipo A (78%) entre todas as populações já analisadas." 


Parentesco - Pesquisas anteriores também apontam para esse parentesco genético entre os índios. "A originalidade do trabalho de Daniela está no marcador genético que ela usou", diz sua orientadora, Maria de Fátima Sonati. "Essa pequena seqüência de DNA, que controla todo um agrupamento de genes, é muito pouco estudada no mundo, e não há registro de iniciativa anterior no Brasil." 

Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a pesquisa teve sua importância reconhecida pela American Journal of Physical Anthropology, uma das revistas científicas mais conceituadas do mundo no segmento da antropogenética, que o aceitou para publicação. O trabalho deverá sair numa de suas próximas edições.  


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3. Bolívia lança na China seu primeiro satélite de telecomunicações




A Bolívia, um dos países mais pobres de América do Sul, já tem seu primeiro satélite de telecomunicações no espaço, graças à China. O presidente boliviano, Evo Morales, assistiu, pessoalmente, na primeira hora deste sábado, ao lançamento do satélite Túpac Katari por meio de um foguete Larga Marcha 3B a partir da base de Xichang, na província central chinesa de Sichuan. A decolagem se deu às 00h42 (horário da Bolívia). E pouco tempo depois entrou em órbita terrestre. Túpac Katari é o nome de um herói indígena aymara que lutou no século XVIII contra a colonização espanhola


4. Luta pela existência zapatista e Guarani-Kaiowá será tema de debate na próxima segunda-feira (RJ)


"O que podemos aprender com a autonomia e resistência desses povos? Diante da ofensiva estatal e ruralista no México e no Brasil, como podemos nos mobilizar para apoiar esses povos? A ideia do evento é debater sobre essas e outras questões, conhecer mais sobre a luta dos zapatistas e Guarani-Kaiowá, como também pensar formas de apoio a esses povos."

Não é de hoje que os Estados nacionais buscam acabar com os índios, exterminá-los fisicamente ou ainda exterminar suas formas de vida e de pensamento. No Brasil, no México e nos diversos Estados do continente americano são claras as tentativas de silenciar os índios, seja roubando suas terras para concentrá-las nas mãos de latifundiários, seja utilizando métodos mais sutis, mas não menos brutais e eficazes. 
 Para mencionar a grave situação que atravessamos atualmente no Brasil, estão tramitando, no Congresso brasileiro, mais de 29 projetos que anulam ou modificam direitos indígenas conquistados ao longo de séculos de luta e hoje garantidos pela Constituição de 1988. O mais recente ataque da bancada ruralista consistiu na votação do relatório da Proposta de Ementa Constitucional 215, a PEC215, aquela que propõe transferir para o Congresso Nacional os processos de demarcação de terras indígenas. Essa proposta será encaminhada a qualquer momento para votação no Congresso. Os povos indígenas já estão se mobilizando em todo o país para exigir seu arquivamento.

Em paralelo aos ataques orquestrados pelos ruralistas no Congresso, assistimos à recrudescência da violência no campo e nas aldeias. No Mato Grosso do Sul, estado que tem a segunda maior população indígena do Brasil, cerca de 77 mil pessoas, ocorrem hoje algumas das mais graves violações de direitos indígenas: casos de tortura, estupros, espancamentos, ataques armados e assassinatos, praticados por milícias de jagunços e organizações paramilitares, contratadas por fazendeiros, ou pelas próprias forças policiais e militares, além dos altos índices de desnutrição e suicídios. Está em curso um verdadeiro genocídio, especialmente do povo Guarani-Kaiowá. 

Entretanto, os povos resistem, ou melhor, “rexistem”... A Grande Assembleia Aty Guasu Guarani e Kaiowá começou na década 80 com o objetivo de fazer frente ao processo sistemático de etnocídio, a expulsão e dispersão forçada das extensas famílias indígenas do seu território tradicional. Das Aty Guasu participam hoje centenas de lideranças Guarani-Kaiowá, promovendo discussões políticas e realizando também rituais para o fortalecimento da luta. É das Aty Guasu que partiram nas últimas décadas as reivindicações de demarcação e retomadas de terras, além de denúncias e sugestões sobre possíveis soluções para o problema dos Guarani-Kaiowá. 

Outro exemplo forte de resistência é o da luta zapatista. A partir do levantamento armado em 1994, milhares de indígenas maias da região de Chiapas, no México, disseram um basta à exploração que sofriam nas mãos dos latifundiários e às políticas etnocidas do Estado mexicano. Junto da retomada de terras, o movimento passou a fomentar todo um mundo autônomo (com escolas, cooperativas, atenção à saúde, etc) a partir das questões indígenas, da autogestão, quer dizer, da organização horizontal cotidiana, sem precisar recorrer ao Estado mexicano. Com isso, os zapatistas fazem também um chamado para que os povos lutem a partir de suas diferentes geografias, para, em suas palavras, viver em um mundo onde caibam muitos mundos. A autonomia zapatista construída em seus territórios é uma proposta viva de constante descolonização e ruptura com o desenvolvimentismo e a modernização capitalista. O zapatismo se tornou, então, uma das maiores encarnações contemporâneas da afirmação do antropólogo Pierre Clastres e da esquerda libertária de que é possível (e desejável) existir vida sem (e contra) o Estado e o capital, o que teve repercussões em movimentos de todo o planeta.

Os zapatistas e Guarani nos mostram que os povos indígenas ao invés de símbolo do atraso, como foram tradicionalmente colocados pelo Ocidente, podem ser, ao contrário, um futuro, já aqui-agora... Outras vidas diferentes daquelas dos homens brancos que, como dito pelo intelectual yanomami Davi Kopenawa, "vivem sem alegria e envelhecem depressa, sempre atarefados, com o pensamento vazio e sempre desejando adquirir novas mercadorias". 

O que podemos aprender com a autonomia e resistência desses povos? Diante da ofensiva estatal e ruralista no México e no Brasil, como podemos nos mobilizar para apoiar esses povos? A ideia do evento é debater sobre essas e outras questões, conhecer mais sobre a luta dos zapatistas e Guarani-Kaiowá, como também pensar formas de apoio a esses povos.


Pela autonomia dos povos indígenas! Contra a PEC215 e as ofensivas ruralistas!
  
Mesa: 
- Sandra Benites (Guarani Nhandewa e Professora)
- Tonico Benites (Guarani Kaiowá e Doutor em Antropologia pelo Museu Nacional/UFRJ)
- Luiz Eloy (Terena e Doutorando em Antropologia pelo Museu Nacional/UFRJ)
- Oiara Bonilla (Professora de Antropologia da UFF)
- Ana Paula Morel (Doutoranda em Antropologia pelo Museu Nacional/UFRJ)
- Eduardo Viveiros de Castro (Professor de Antropologia do Museu Nacional/UFRJ)

Data: 23/11 (segunda), 18 hrs, no IFCS, sala 106.
Evento no Facebook:
 https://www.facebook.com/events/824863410955521/

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