quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

2016

Àwọn àmì ìwé (favoritos)


1. FILOSOFIA AFRICANA 



Evocando uma célebre expressão de Paulo VI, “África, chegou a tua hora!”, qual será o contributo da filosofia para a reconstrução do conti­nente africano? Esta é a grande questão à qual neste livro se procura respon­der. A confiança profunda do autor nas potencialidades ocultas das sociedades africanas marca o desafio que decidiu assumir: compreender o que falta fazer para que em África se vivam dias melhores de liberdade e de paz.

Com mestria, Muanamosi Matumona alia os dados da história e o rigor do conhecimento prático da realidade africana à cora­gem e ousadia das suas propostas.

SOBRE O AUTOR:
Muanamosi Matumona nasceu no Uíje (Angola) em 1965. Sacerdote católico, jornalista e professor de Sociologia e de Filosofia Africana na Universidade Agostinho Neto e no Seminário Maior do Uíje, estudou filosofia, teologia, comunicação social e sociologia em Lisboa, no Porto e em Roma. É autor de várias obras, entre as quais: Jornalismo Angolano: História, desafios e expectativas (2002); A Reconstrução de África na era da modernidade. Ensaio de uma Epistemologia e pedagogia da Filosofia Africana (2004); Cristianismo e mutações sociais em África. Elementos para uma teologia Africana da Reconstrução (2005); Teologia Africana da Reconstrução como novo paradigma epistemológico. Contributo lusófono num mundo em mutação (2008); Os Media na era da globalização. Para uma sociologia do Jornalismo Angolano (2009).

COLECÇÃO ESTUDOS AFRICANOS
Directores:
Muanamosi Matumona, José Eduardo Franco
Conselho Editorial:
Ana Paula Tavares, Annabela Rita, Fernando Cristóvão, Inocência Mata, José da Silva Horta, Maria José Craveiro, Miguel Real, Paulo de Carvalho, Vítor Kajibanga
Responsabilidade Científica:

CLEPUL – Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

2. UBUNTUÍSMO

 non nobis solum, UBUNTU
" Non nobis solum, nati sumus ortusque nostre partem patria vindicat, parte amici."

Não nascemos e não vivemos apenas para nós mesmos, nossa pátria e nossos amigos possuem uma parte de nós.

O poeta e estadista romano Cícero definiu assim a vida do homem enquanto ser humano, parte do conjunto maior que é a humanidade.

Nas várias nações africanas existe um conceito bastante semelhante, chamado UBUNTU ( ou obuntu, umuntu, botho, unhu, conforme o idioma africano), varias vezes citado por Nelson Mandela e pelo Bispo Tutu.
Os Zulus acreditam que  umuntu ngumuntu ngabantu, "uma pessoa só é uma pessoa através das outras pessoas".
Ubuntu significa que um ser humano precisa, depende e é parte da força que mantem a humanidade como um todo. Para se ter humanidade é preciso respeitar os outros seres humanos.

Segundo o Bispo Desmond Tutu, "uma pessoa com  Ubuntu é  aberta e disponivel para os outros, permite que se afirmem e não se sente ameaçada porque os outros são bons e capazes, porque tem sua propria auto confiança que vem do fato de que ela mesma pertence a um todo maior e será diminuida quando outros são humilhados, diminuídos, torturados ou oprimidos. A essencia de ubuntu é a essencia de ser humano.  Ubuntu fala especificamente sobre o fato de que ninguem pode existir como ser humano estando isolado. É sobre interconectividade. Voce nãopode ser humano sozinho, e quando tem esta qualidade, Ubuntu, é reconhecido pela sua generosidade. Pensamos nos outros frequentemente como apenas individuos, separados uns dos outros, enquanto que voce está ligado a eles e o que voce faz afeta o mundo todo. Quando voce faz o bem, ele se espalha, e é para o bem de toda a humanidade." 

J. W. T. Samkange (1980) destacou as 3 máximas do ubuntuísmo que moldam esta filosofia: 
A primeira afirma que "Ser humano é afirmar a humanidade atraves do reconhecimento da humanidade dos outros, e assim estabelecer relaçoes humanas respeitosas com eles."  
A segunda diz que " Se e quando  alguem é colocado em posição de decidir entre a riqueza e a preservação da vida de outro ser humano, deverá escolher pela preservação da vida."
A terceira diz que " O rei deve seu status, e todos os poderes associados a ele, à vontade do povo que ele comanda.".

Depois que a gente já viveu algumas décadas, temos em nossas relações uma amostragem de todos os tipos de pessoas. O mundo moderno capitalista, hedonista e que põe a ciencia no altar pressiona as pessoas a crescerem para si mesmas, em busca de sucesso social e financeiro, e acaba levando estas mesmas pessoas a fugir dos pobres, dos feios e dos diferentes como se fossem o diabo moderno.  É comum ver pessoas que têm excelentes condições de vida em termos de renda e tempo disponivel doarem minusculas quantias para entidades assistenciais e se considerarem o maximo em termos de generosidade.  
Menos de 1% das pessoas doa o que realmente importa: atenção pessoal e consideração.  Estes poucos não têm medo de ver gente feia, pobre, lugares sujos ou sofrimentos físicos, são as pessoas do trabalho voluntario.  Surpreendentemente para os outros 99%, ao inves dos voluntarios ficarem contaminados com a pobreza são os necessitados que ficam contaminados com a generosidade e atenção deles, e este estimulo é capaz de gerar respostas a um nível de amplitude surpreendente. 

A visão kabbalistica do Universo (que contem o mundo visível e outros) é de que ele é como um bordado, onde todas as linhas se cruzam, e qualquer uma delas que for puxada causará enrugamento em todas as outras.
O pano que sustenta o bordado é UBUNTU.

Meses atrás conclui uma postagem chamada Lei da Ação   com a frase:  Não podemos esquecer que neste bordado perfeito, quando se puxa um ponto se estica a linha de todos os outros... porque são todos feitos com um unico fio, pelo Grande Artesão.

A visão colonialista moldou os olhos das pessoas "civilizadas" de modo que sempre olham para a nação africana como um conjunto de grupos humanos primitivos, sem futuro, inferiores.  No entanto, as nações mais "avançadas" em conquistas tecnologicas e sociais poderiam aprender muito com eles, porque Ubuntu é a unica receita que ainda pode curar o mundo.
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3. MUNTUÍSMO


 A Ideia de Pessoa na filosofia africana conteporânea.

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Muntuísmo, neologismo tirado pelo autor deste livro, da palavra Muntu (pessoa na língua bantu), se propõe como denominação de um modelo teórico de "personalismo africano". A corrente do personalismo, notoriamente lançada na França na primeira metade do século passado por Emmanuel Mounier, encontra o seu habitat mais natural na cultura africana que é essencialmente personalista, enquanto se sustenta sobre os três pilares desta corrente: pessoa, comunidade, Deus. No ocidente, estes pilares desmoronaram: Deus já morreu (executado pelas instância niilistas e positivistas da contemporaneidade); a comunidade é concebida prevalentemente como espaço de reivindicação dos direitos individuais (no sentido da filosofia marxista ou filosofia da praxe) e a pessoa é reduzida ao indivíduo sem nenhuma dimensão transcendental, sufocado na sua finitude (do preconceituoso fechamento da cultura à ideia de Deus ficou consequentemente também fechado o acesso à verdade da pessoa). O Muntuísmo, a diferença do ubuntuísmo e do bantuísmo que acentuam mais a dimensão comunitária, coloca no centro o Muntu o qual não desaparece diante da comunidade (o comunitarismo africano é muitas vezes um lugar comum contradito pela realidade) e nem diante de Deus (lembrar que os africanos chegaram ao monoteísmo antes dos gregos e romanos!), mas encontra propriamente a sua verdade plurimilenaria na dimensão horizontal e vertical da sua existência. Uma maior énfase da centralidade da pessoa em relação à comunidade, poderá marcar uma nova dinámica no desenvolvimento da humanitas africana. “I am (Muntu) because I believe (Deus) and I love (Comunidade)”: é o aforismo que melhor sintetiza os três pilares do muntuísmo, ou seja, do personalismo africano.


                                                                                                                                                                  Èrò ẹ̀kọ́ ti ọdún kẹ́ta - 2016
Èrò ẹ̀kọ́ ti ọdún kéjì - 2016
Èrò ẹ̀kọ́ ti ọdún kíní - 2016

Èrò ẹ̀kọ́ ti ọdún kẹ́ta - 2015
Èrò ẹ̀kọ́ ti ọdún kéjì - 2015
Èrò ẹ̀kọ́ ti ọdún kíní - 2015

Ìdánwò kan
Àwọn ìdánwò ( 1, 2, 3)

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